Ana Gomes elogiou esta terça-feira as "declarações certas" do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, quando disponibilizou o país para receber refugiados.

Primeiro, a eurodeputada socialista notou que a reação inicial do Governo lhe pareceu "muito ignorante e insensível", além de "apenas focada na questão do dinheiro", mas que entretanto foi alterada.

A posição de Lisboa "foi alterada por causa da senhora Merkel (chanceler alemã), que, felizmente, teve uma posição muito clara e muito decidida e rapidamente mudou a perceção do nosso primeiro-ministro. [Passos Coelho] veio fazer as declarações certas no sentido de disponibilizar o país para receber refugiados, e tomar ações nesse sentido".


"Penso que Portugal finalmente fez o que devia fazer e que temos que fazer a pedagogia para a nossa opinião pública de que é nosso dever acolher refugiados e do nosso interesse", acrescentou aos jornalistas, em Estrasburgo. 

Porém, Ana Gomes sublinhou que Portugal poderia fazer mais se houvesse uma "sensibilização do nosso Governo de abrir as portas e acolher para que a integração seja bem-sucedida", cita a Lusa.

Recentemente, o ministro adjunto e do Desenvolvimento, Miguel Poiares Maduro afirmou que Portugal tem disponibilidade para acolher mais refugiados do que os 1500 que têm sido referidos, e anunciou a constituição de um grupo de coordenação a nível nacional sobre esta matéria.

Na quarta-feira, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Junker, deverá apresentar, no Parlamento Europeu, uma proposta para a repartição urgente de refugiados entre os Estados-membros da União Europeia, na qual deverá atribuir a Portugal uma quota de mais de 3.000 refugiados.