Notícia atualizada às 13:44

O PS considerou, esta quinta-feira, que o Governo confirmou a sua intenção de cortar de forma retroativa e definitiva nas pensões, incluindo as mais baixas, e de pretender transferir contribuições do sistema público para fundos privados.

Estas acusações foram feitas pelo vice-presidente da bancada socialista Pedro Marques, em reação à entrevista concedida pelo ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, à Rádio Renascença e «Jornal de Negócios».

«Por várias vezes o secretário-geral do PS [António José Seguro] interpelou o primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho] sobre a estratégia de transformar aquilo que é provisório e extraordinário em cortes permanentes de pensões. O ministro da Solidariedade vem agora confirmar esses cortes de pensões» de forma «permanente e retroativa», declarou Pedro Marques aos jornalistas.

De acordo com o ex-secretário de Estado socialista, ao longo da entrevista concedida por Pedro Mota Soares, pode confirmar-se a ideia de que «o Governo quer cortar pensões contributivas, para as quais as pessoas descontaram uma vida toda, desde logo até pensões que estão a ser recebidas pelos viúvos ou viúvas daqueles que descontaram e já faleceram».

«Ao contrário do que tem sido dito pelo ministro [Pedro Mota Soares] - e que tem de ser desmentido de forma veemente -, temos um Governo que confirma cortes nas pensões mais baixas, já que este Governo corta o complemento solidário para idosos e o complemento de dependência. O complemento solidário para idosos é recebido apenas pelos idosos que vivem abaixo do limiar da pobreza e o complemento de dependência era recebido por pessoas com pensões acima de 600 euros mas que não conseguem comer ou fazer a sua higiene sozinhas», apontou Pedro Marques.

Pedro Marques acusou também o Governo de tomar medidas «pela calada» ao suspender as pensões antecipadas e ao «guardar uma parte dos cortes para depois das eleições europeias».

Em relação à linha política seguida pelo executivo PSD/CDS em matéria de pensões, o vice-presidente da bancada socialista classificou-a como «errada».

«São medidas estúpidas do ponto de vista económico, para além de serem desastrosas do ponto de vista social. Ao mesmo tempo, este Governo também anuncia que mantém a intenção de proceder ao plafonamento, o que significa tirar receitas ao sistema público de segurança social», sustentou o dirigente socialista.

Pedro Marques fez depois um duro ataque ao CDS-PP. «O antigo partido dos pensionistas - antigo, porque nunca mais terá a veleidade de se apresentar com essa designação - quer financiar a retirada de receitas ao sistema público de segurança social para entregar uma parte a fundos de pensões privados. E como quer o antigo partido dos pensionistas financiar depois o sistema público de pensões? Cortando pensões retroativamente. É mau de mais para ser verdade», acrescentou Pedro Marques.