O Bloco de Esquerda (BE) lamenta que o Governo se escuse a responder «às perguntas do momento», nomeadamente sobre o futuro do sistema de pensões, refugiando-se num documento «ultrapassado» para a reforma do Estado.

«Estranhamos muito a data desta reunião, porque ela acontece a pouco mais de um mês das eleições europeias e parece-nos que é mais eleitoralismo do que qualquer vontade de discutir o que quer que seja», afirmou o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, no final de uma reunião no parlamento a pedido do Governo sobre a reforma do Estado, nesta segunda-feira.

O executivo, adiantou o bloquista, tentou no encontro, de mais de 50 minutos, «esconder a agenda que tinha», e «refugiou-se» num documento «ultrapassado», o denominado «guião da reforma do Estado».

«Não é preciso cortar, é preciso é repor os direitos que as pessoas foram perdendo. O Estado perdeu qualidade, os serviços públicos têm sido degradados», advogou Pedro Filipe Soares.

O líder parlamentar do Bloco disse que questionou o Governo sobre se pretende ou não promover um sistema de pagamento de pensões em função do comportamento da economia.

«Sobre isso o Governo procurou não responder, não ter aqui uma posição clara. Da nossa parte o que dissemos é que não podemos continuar num caminho de austeridade, de cortar no rendimento de quem trabalha e trabalhou», sublinhou.

O encontro de hoje foi promovido pelo vice-primeiro-ministro Paulo Portas, que se fez acompanhar pelo ministro da Presidência, Luís Marques Guedes, e pela sua subsecretária de Estado adjunta, Vânia Dias da Silva.

O BE fez-se representar na reunião com o Governo por Pedro Filipe Soares e as deputadas Mariana Aiveca e Cecília Honório.