O presidente da Fórum para a Autonomia da Madeira (FAMA) defendeu que, se no futuro, os madeirenses entenderem que querem ser livres de Portugal estão no seu direito e «ninguém lhes pode, democraticamente, impedir de fazerem um referendo».

Gabriel Drumond disse à agência Lusa que a Madeira reclama «há 40 anos mais poderes fiscais» e o «aprofundamento da autonomia [do arquipélago] dentro da Constituição» da República Portuguesa, mas assegura que a independência não é, «neste momento», um objetivo.

No dia em que a Escócia realiza um referendo para decidir sobre independência face ao Reino Unido, Gabriel Drumond olha para a posição da Madeira no contexto de Portugal, para dizer que neste arquipélago, onde existiu há décadas um movimento independentista - a Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira (FLAMA) -, não é reclamada atualmente a independência.

«A Madeira não está, neste momento, a pedir a independência. Estamos, simplesmente, a reivindicar que nos deem mais poderes fiscais» e o «aprofundamento da autonomia dentro da Constituição» da República Portuguesa, disse o ex-deputado do PSD na Assembleia Legislativa da Madeira e antigo presidente do município de São Vicente, no norte da ilha.

A FAMA surgiu em 1999 e congrega personalidades da região de diversos quadrantes políticos, tendo como presidente honorário o líder do Governo Regional, Alberto João Jardim, que elegeu o aprofundar da autonomia política da Madeira como a sua principal bandeira.

Gabriel Drumond, em declarações à agência Lusa, lamentou que no conjunto de revindicações da Região Autónoma da Madeira que incidem sobre mais poderes fiscais e as questões que envolvem a zona franca, «nada» tenha sido aceite por Lisboa.

¿Não sei se, num futuro próximo, a nova juventude da Madeira vai querer acatar as ordens de Lisboa¿, alertou, lançando o repto: «se Portugal não concordar com estas reivindicações da Madeira, então que façam um referendo».

Para Gabriel Drumond, isto ¿não é pedir demais¿ e o líder da FAMA sublinhou que Mário Soares, num dos seus mandatos como Presidente da República, chegou a manifestar-se a favor de um referendo sobre a independência dos Açores.

Aproveitando «essa ideia, se a Madeira e os madeirenses entenderem que querem ser livres de Portugal, estão no seu direito. Ninguém lhes pode, democraticamente, impedir de fazerem um referendo», defendeu.

No seu entender, «se há dúvidas, ficava tudo esclarecido e nesse referendo punham as condições: se queriam mais ou menos independência, mais ou menos autonomia, ou mesmo acabar com a autonomia».

O responsável da FAMA comparou a situação da Madeira com a da Escócia, salientando que este território do Reino Unido, que tem uma autonomia de apenas de uma década, ao desencadear um referendo sobre a sua independência demonstra que «a paciência tem limite».

«Espero bem, para exemplo dos outros países do mundo, que na Escócia vença o sim, que a Escócia se torne independente da Inglaterra» afirmou Gabriel Drumond.

O responsável acrescentou que «há outros países no mundo que querem a independência» e que «já se criou um precedente na Europa», mencionando o caso do Kosovo.

Segundo o líder da FAMA, «num mundo em convulsão, toda a gente está a por em causa os territórios e os povos, europeus e não só, estão a querer libertar-se», como cita a Lusa.

Segundo Drumond, há outras nações do mundo que querem a independência e enunciou «o problema grave da Catalunha e [de] outras regiões espanholas, o da Bélgica, onde os Flamengos também querem a independência», além da França, com a situação da Córsega.