Os líderes das bancadas do PSD e do CDS-PP, Luis Montenegro e Nuno Magalhães, consideraram esta quarta-feira que o manifesto que defende uma reestruturação da dívida é um «exercício de cidadania» que «não ocorreu no momento mais oportuno» para Portugal.

Luís Montenegro considerou, em conferência de imprensa em Madrid, que alguns dos signatários do manifestou mostram incoerência de posições e que hoje não se pode estar a «acenar» com uma reestruturação que «traria consequências muito piores para as vidas das pessoas».

«Muitas das opiniões que constam desse documento são incoerentes sobre o que foi a posição dessas pessoas neste percurso», afirmou considerando que enviar os sinais errados ao mercado pode ter «consequências imediatas nas taxas de juro e na capacidade de financiamento».

O deputado social-democrata considerou que na direção do PSD «não há qualquer dúvida sobre o caminho percorrido nos últimos anos" sendo que «algumas das pessoas da área do PSD que subscrevem este manifesto não têm essa mesma convicção».

«São as mesmas que há 8, 9 meses diziam que Portugal iria na direção de uma espiral recessiva e que seria muito difícil fugir a poder ter um 2.º resgate. Não concordamos e não temos dúvidas na maioria e no PSD em particular», afirmou.

Nuno Magalhães, que disse não ter ainda lido o manifesto e remeteu comentários sobre o seu conteúdo para mais tarde, afirmou que o respeita «enquanto exercício de cidadania» mas que o momento da sua apresentação não foi o melhor.

«Tendo em atenção que estamos a uma avaliação e quase dois meses de terminar o programa o momento não terá sido dos mais oportunos», afirmou.

Luís Montenegro e Nuno Magalhães falavam aos jornalistas depois de terem assistido à sessão de controlo ao Governo, no Congresso de Deputados e de terem mantido breves encontros com o presidente do executivo espanhol, Mariano Rajoy e o presidente da câmara baixa, Jesús Posada.

Saudados por Posada pouco depois do arranque da sessão plenária os deputados portugueses estiveram também reunidos com Alfonso Alonso, líder da bancada parlamentar do PP, no Governo em Espanha e que os acompanhou na conferência de imprensa conjunta.

Montenegro defendeu que o caminho realizado nos últimos dois anos permitiu a Portugal ter melhores condições de pagamento da dívida, juros mais baixos e maturidades renegociadas além de permitir renegociar as metas do défice.

Para o deputado da maioria «muitos dos que hoje preconizam a reestruturação da dívida, estiveram contra este percurso de recuperação».

«A menos de dois meses do final do programa e da decisão que temos que tomar sobre como fechar esse processo, é manifestamente inoportuno desviar a atenção do país do que é essencial», disse.

«Temos o objetivo de que não tenhamos mais troikas, em Portugal nas próximas épocas», cita a Lusa.