O Bloco de Esquerda (BE) definiu esta quarta-feira como «irrealista, irresponsável e impossível» o «plano da direita» para «controlar a dívida», explicado pelo Presidente da República no fim de semana nos textos do prefácio do livro «Roteiros VIII».

«[O plano] É irrealista, porque defende para 30 anos consecutivos o que nunca foi conseguido num único. É irresponsável porque impõe o empobrecimento de todo um país em nome de uma meta que sabe ser impraticável. E é impossível por que nenhum país do mundo, nem os EUA ou a Alemanha, conseguiu atingir as metas defendidas por Cavaco Silva e pelo Governo», disse a deputada bloquista Mariana Mortágua.

A parlamentar intervinha no parlamento na primeira declaração política da tarde de hoje, tendo trazido para debate o pagamento da dívida e os «consensos», que, defendeu o Bloco, são «cada vez mais claros» no assumir da necessidade de reestruturar a dívida de Portugal.

«Pese embora toda a retórica inflamada de Paulo Portas, o plano da direita para pagar a dívida é mais do mesmo, mas mais forte. O Presidente da República usou os números que o Governo tenta esconder», acusou Mariana Mortágua.

Para o Bloco, o executivo liderado por Pedro Passos Coelho pretende «continuar este nível de austeridade por mais 30 anos, e, com mais cortes e sem investimento, atingir níveis de crescimento e de excedentes orçamentais que nenhuma das economias mais ricas do planeta» logrou atingir.

«A pergunta que se impõe é esta: se o Governo sabe que estas metas são inviáveis, porque é que insiste num plano suicidário?«, questionou a deputada do BE.

Mariana Mortágua voltou a insistir na rejeição do Tratado Orçamental, uma das bandeiras do partido, mais a mais com as eleições europeias à porta, e numa «reestruturação responsável da dívida que inclua o prolongamento dos seus prazos, a alteração dos juros e o abatimento de parte da dívida», condições «mínimas para ter políticas de crescimento e emprego».

Dirigindo-se à deputada do Bloco, Cecília Meireles, do CDS-PP, trouxe a debate o fim do programa de assistência financeira, previsto para maio, questionando Mariana Mortágua se teria noção dos juros que Portugal teria nos mercados para se financiar depois de assumir uma ideia de renegociar a dívida.

«Acha viável regressarmos aos mercados e acha que teremos capacidade de o fazer ? Acha que é um caminho viável para um país que se vai financiar pedir mais dinheiro emprestado mas dizer que já não vai pagar o que deve?», interrogou Cecília Meireles.