As sondagens foram hoje desvalorizadas pelos cabeças de lista dos partidos que têm representantes no Parlamento Europeu, com os candidatos a lembrarem o falhanço das previsões de 2009.

Num debate a oito com os cabeças de lista do PSD/CDS-PP, PS, BE, CDU, Livre, MAS, PCTP/MRPP e MPT organizado pela Antena 1, as sondagens divulgadas esta manhã foram o tema de abertura da discussão, com o candidato da coligação Aliança Portugal Paulo Rangel a dizer de forma cautelosa que «o melhor é esperar pela votação de domingo».

«As sondagens nas europeias falham», afirmou o cabeça de lista da coligação que junta PSD e CDS-PP, citado pela Lusa.

Segundo duas sondagens publicadas hoje na imprensa, o PS deverá conseguir uma vitória nas eleições europeias do próximo domingo com uma distância de entre quatro a sete pontos percentuais em relação à coligação Aliança Portugal.

A sondagem realizada pela Universidade Católica para o DN, JN, RTP e Antena 1, indica que o PS conseguirá uma vitória ligeira, obtendo 34% das intenções de voto, mais quatro pontos percentuais do que a coligação PSD/CDS (Aliança Portugal). De acordo com estas previsões, o PS deverá eleger oito a 10 eurodeputados enquanto a coligação Aliança Portugal deverá ficar representada por sete a nove parlamentares.

«É melhor estar à frente do que atrás», comentou o candidato socialista, Francisco Assis, ressalvando, contudo, que não valoriza excessivamente as sondagens, embora esteja confiante numa «votação expressiva» nas eleições de domingo, onde serão eleitos os 21 eurodeputados portugueses.

Pelo MPT, Marinho e Pinto, que a sondagem da Universidade Católica aponta como sendo eleito, escusou-se a fazer comentários às previsões, referindo apenas que se for eleito terá «humildade» e, caso não consiga atingir esse objetivo, enfrentará os resultados com «a mesma dignidade».

Por seu lado, João Ferreira, o cabeça de lista da CDU, disse ver as sondagens com «prudência», acrescentando apenas que as previsões que dão como garantida a eleição de dois eurodeputados comunistas, embora referindo que o número poderá chegar aos quatro parlamentares, traduzem «o crescente apoio à CDU».

Marisa Matias, a cabeça de lista do BE, que segundo a sondagem da Universidade Católica será a única eleita da lista bloquista, prometeu «continuar a fazer a disputa até domingo», notando, contudo que a abstenção poderá baralhar os resultados, à semelhança do que aconteceu em 2009, quando o partido elegeu três eurodeputados ao contrário do que apontavam todas as previsões.

Rui Tavares, candidato do Livre, que não deverá eleger nenhum eurodeputado, também foi parco nos comentários, recordando que o partido tem apenas dois meses.

Pelo MAS, partido que também vai pela primeira vez a eleições, Gil Garcia reconheceu que será muito difícil alcançar um resultado que garanta um eurodeputado e destacou a abstenção que se irá registar, consequência do «desprezo» dos cidadãos pelos partidos e pelos políticos.

Mais otimista, Leopoldo Mesquita, do PCTP/MRPP, assegurou que o partido espera «uma votação superior à expressa nas sondagens».

Além da sondagem da Universidade Católica para o DN, JN, RTP e Antena 1, esta manhã foi também divulgada uma sondagem elaborada pela empresa Pitagórica para o jornal i que mostra uma intenção do voto no PS superior à conseguida pela Aliança Democrática e apresenta a CDU como a terceira força mais votada.

Também os inquiridos para esta sondagem deram conta da eleição de Marinho e Pinto para o Parlamento Europeu, à frente do Bloco de Esquerda.