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Rangel pede explicações a Sócrates sobre secretário de Estado da Justiça

Social-democrata diz que é «sério» que um membro do Governo considere «que em certos casos há magistraturas que seguem uma agenda política»

Por: Redacção  |  6- 3- 2010  0: 14

Paulo Rangel

O candidato à liderança do PSD Paulo Rangel desafiou esta sexta-feira o primeiro-ministro a esclarecer «rapidamente» se «subscreve ou não» as afirmações do secretário de Estado da Justiça, João Correia, sobre casos de influência do poder político na justiça, noticia a Lusa.

«O que me preocupa, e é verdadeiramente grave, é que um membro do Governo venha dizer que a justiça está politizada, pelo menos em alguns casos», disse Paulo Rangel aos jornalistas, à margem de uma sessão de apresentação da sua candidatura realizada hoje na Guarda.

Para o candidato à liderança do PSD, «isso exige que o primeiro-ministro e que o ministro da Justiça venham imediatamente esclarecer que casos são esses, ou então, se subscrevem ou não as afirmações do secretário de Estado».

«Isto é absolutamente indispensável, porque é uma coisa gravíssima. Estamos a falar de algo muito sério que é haver um membro do Governo português que considera que em certos casos há magistraturas que seguem uma agenda política. Mesmo que seja só em certos casos, isso é grave», afirmou.

Paulo Rangel também desafiou o secretário de Estado da Justiça a esclarecer os casos de que tem conhecimento. «Se ele sabe que há certos casos em que [a justiça] está politizada, ele tem de esclarecer quais são esses casos», defendeu o social-democrata.

«É insustentável e é inaceitável»

Em sua opinião, a atitude do governante «é insustentável e é inaceitável». «Não pode um secretário de Estado, um membro do Governo, fazer isto», considerou.

O candidato considerou ainda que «não é só o secretário de Estado da Justiça, não é só o ministro da Justiça, é o primeiro ministro que tem que dar explicações ao país, porque o primeiro ministro, sempre que estão em causa casos de justiça, refugia-se sistematicamente em que uma coisa é a justiça e outra é o Governo e ele não pode falar».

«Pois se agora o Governo fala sobre justiça, o primeiro-ministro tem que dar explicações, não pode o argumento servir quando lhe dá jeito e não servir agora, quando não lhe dá», disse Paulo Rangel.

Para o candidato à liderança do PSD, a afirmação de João Correia é «gravíssima» e «exige-se que o primeiro-ministro venha dizer se concorda com isso ou não».

«Há muitas coisas que neste momento estão a atormentar a opinião pública portuguesa e é fundamental que o primeiro-ministro esclareça se confia ou não confia na magistratura portuguesa e se considera ou não que ela é isenta, independente e imparcial», justificou Paulo Rangel.

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