O antigo Presidente da República, António Ramalho Eanes, considerou que a Europa está numa encruzilhada que tem que ser ultrapassada de forma a garantir o seu lugar de "potência tranquila" na geopolítica mundial.

"A Europa tem um desafio. Ou o vence e, de novo, nos dá uma alma e uma esperança na Europa, ou não vence e a Europa pode ser o grande projeto histórico que acabou por não chegar onde poderia chegar e onde era indispensável chegar. Não apenas à Europa, mas à geopolítica mundial em que houvesse uma potência que aprendeu tudo através dos erros", afirmou aos jornalistas o general Ramalho Eanes.

Ramalho Eanes falava à margem da cerimónia de homenagem a Mário Soares, o primeiro líder de um governo em democracia em Portugal, no mesmo dia em que o I Governo Constitucional tomou posse, há 40 anos.

"Como aprendeu tudo através dos erros, das guerras e da colonização, a Europa está em condições para ser uma potência tranquila. Uma potência que entende que os problemas se resolvem sempre através do diálogo, sempre através da assistência mútua e nunca através da guerra", vincou o primeiro chefe de Estado português eleito em democracia, que deu posse ao I Governo Constitucional.

Segundo Ramalho Eanes, é a guerra que "tem conduzido às situações que a gente conhece e tem levado a este terrorismo que, realmente, nos preocupa. Preocupa a Europa e todos os homens em todos os países do mundo".

Sobre o futuro de Portugal, o político defendeu "uma cultura de cooperação naquilo que é essencial e uma cultura de conflito naquilo que é a diferenciação ideológica, algo que é indispensável".