O antigo Presidente da República Ramalho Eanes recordou hoje a «relação forte de amizade, respeito e crítica» que manteve com Medeiros Ferreira, falecido esta terça-feira, e de quem sublinha a «ação cívica e política de excelência».

«Mantivemos uma sadia e desassombrada relação forte de amizade, respeito e crítica», recordou Ramalho Eanes, numa declaração escrita.

O historiador e político José Medeiros Ferreira morreu hoje, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.

«Tive a felicidade de muito ter interagido com Medeiros Ferreira e, assim, de bem o ter conhecido - ter conhecido o seu caráter, os seus talentos, a elevação patriótica dos seus propósitos, o sucesso e valor ético das suas ações docentes, profissionais, intelectuais, sociais, e políticas», afirmou Ramalho Eanes de Medeiros Ferreira, que, em 1985 apoiou a criação do Partido Renovador Democrático (PRD), embora tivesse voltado ao PS.

«Na verdade, Medeiros Ferreira foi, desde cedo, um combatente decidido da liberdade. Combate que cedo o levaria ao exílio na Suíça. Combatente da liberdade e verdade o faria, também, sempre depois, ousando mudar-se de posicionamento político-partidário para guardar a verdade e coerência do seu posicionamento ético-político e ideológico», escreveu o antigo Chefe de Estado.

Eanes refere-se à sua atividade enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros do I Governo constitucional como uma «ação de empenho e sucesso, norteada, sempre, pelos interesses estratégicos do país».

«Acompanhei, também, a sua atividade intelectual e li, com apreço e proveito, a maioria dos seus interessantes trabalhos. Segui o seu percurso de docente universitário e conheci a sua qualidade e o apreço que colegas e alunos lhe dedicaram. Observei a sua ação cívica e política, de excelência, ambas, e debrucei-me sobre os seus resultados», afirmou.

Também o eurodeputado e cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP às europeias, Paulo Rangel, evocou Medeiros Ferreira como «uma grande figura da universidade e da política portuguesa», que teve sempre uma visão própria do projeto europeu e de Portugal.

«Eu acompanhei desde muito jovem, eu próprio, a carreira de Medeiros Ferreira, lembro-me muito bem de ele ser ministro dos Negócios Estrangeiros e ainda melhor de ter sido, juntamente com António Barreto, um dos promotores do manifesto reformador, e daí ter integrado a Aliança Democrática, com Sá Carneiro, na altura, isto em 1979. Foi sempre um grande europeísta, teve sempre um olhar muito peculiar, muito particular», afirmou Paulo Rangel aos jornalistas em Bruxelas, no final de uma conferência no Parlamento Europeu.

Rangel considerou que, pela sua origem, o antigo ministro socialista dos Negócios Estrangeiros tinha «uma lucidez açoriana» que lhe permitia ver «o país de dentro, mas também de fora».

«O seu conhecimento de História fez com que tivesse não apenas uma perspetiva diferente de todos os analistas, como também uma prospetiva diferente, ou seja, conseguia no fundo fazer uma análise sobre o futuro, tendo em conta muitos daqueles que são os ensinamentos do passado», afirmou.

O historiador e político José Medeiros Ferreira morreu esta terça-feira, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, aos 72 anos.

O corpo do historiador José Medeiros Ferreira estará hoje, a partir das 15:00, em câmara ardente no Palácio das Galveias, em Lisboa.