António Ramalho Eanes afirmou, na terça-feira, que a iniciativa de Cavaco Silva de suscitar negociações entre PSD, PS e CDS é «ousada e correta», apesar de «tão criticada», e pode permitir que o país saia da crise.



Em entrevista à RTP, o antigo Presidente da República disse estar «convencido de que com esta iniciativa do Presidente, tão criticada, mas tão ousada e correta, vamos poder sair da situação de crise».



Na quarta-feira, Cavaco Silva propôs, numa comunicação ao País, um «compromisso de salvação nacional» entre PSD, PS e CDS que permita cumprir o programa de ajuda externa e eleições antecipadas a partir de junho de 2014.



Mas Ramalho Eanes deixou um aviso: «Há uma coisa que não pode ser esquecida. Em todas as mesas tem de haver o pão necessário, o mínimo necessário». Caso contrário, «o perigo de uma explosão social existe». Nesta matéria, o antigo chefe de Estado considerou que «os portugueses têm-se portado muito bem». E acrescentou: «Em meu entender, demasiado bem».



Esperançado em que a reforma do Estado possa ser negociada, o ex-Presidente considerou-a «indispensável». Ramalho Eanes explicou que «não é possível, com a economia como está e vai estar nos próximos tempos, ter um Estado social, pagar juros altíssimos, ter ainda empresas público-privadas e o Estado paralelo que foi agora denunciado».



O antigo Presidente da República alertou que a reforma tem de ser feita a um ritmo apropriado: «Temos de fazer a reforma segundo o nosso ritmo, que a nossa sociedade permite».



Ramalho Eanes sugeriu que os portugueses devem atuar e deu como exemplo o caso das críticas aos partidos políticos. Para o antigo chefe de Estado, aquelas críticas deviam ser seguidas por inscrições dos críticos nas organizações partidárias «para as modificar por dentro» e realçou que esta «é uma responsabilidade que cabe a todos».