O vice-presidente do PSD, José Matos Correia, afirmou este sábado que Pedro Passos Coelho deve dar explicações sobre a sua relação com a Segurança Social «no momento certo e onde for entendido», nomeadamente na quarta-feira no Parlamento.

José Matos Correia disse, em conferência de imprensa, que o primeiro-ministro «continua disponível para dar os esclarecimentos que forem entendidos» e que «o Parlamento é um bom local para o fazer».

Reagindo à notícia do jornal «Expresso», de que o primeiro-ministro «pagou dívida de 3.900 euros à Segurança Social, mas ficaram 26 meses por regularizar», Matos Correia classificou-a como «falsa» e disse que o PSD não está preocupado com o tema das dívidas do primeiro-ministro à Segurança Social em ano de eleições, nem com a perda de credibilidade de Passos Coelho.
 

«Se há uma coisa que não preocupa o PSD é precisamente a credibilidade do primeiro-ministro. Bem pelo contrário. Aquilo que o primeiro-ministro tem feito ao longo destes anos e a forma como tem conduzido a sua atuação é a prova mais evidente de que se há político credível em Portugal é o primeiro-ministro. Essa é uma mais valia que leva para as eleições».


O vice-presidente do PSD, comentando as declarações de Cavaco Silva, acrescentou ser «mais do que compreensível que o Presidente da República, pelas funções que exerce, não queira imiscuir-se em questões que são do domínio da luta político-partidária e sobretudo questões desta artificialidade».

Matos Correia reafirmou que «o erro foi assumido» pelo primeiro-ministro e acusou a oposição de «continuar a construir um discurso à volta desta questão porque não tem opções de política válidas» e tentar «encontrar na espuma dos acontecimentos uma forma de ultrapassar as suas próprias limitações».

Para Matos Correia, o jornal «Expresso» entendeu publicar a notícia sobre a relação de Pedro Passos Coelho com a Segurança Social «com base em documentos que são falsos e cuja falsidade conhecia quando a notícia foi feita».

O Instituto da Segurança Social esclareceu, em comunicado, que «não existe registo na base de dados do Sistema de Informação da Segurança Social do documento referido pelo Semanário Expresso, nem os dados constantes coincidem com o número de identificação do documento».

O jornal cita um «Documento para pagamento de contribuições/juros de mora» emitido pela Segurança Social a 26 de outubro de 2012 em nome Pedro Manuel Mamede Passos Coelho em que o valor a pagar era de 7.534,82 euros relativo a 58 meses em dívida, de novembro de 1999 a agosto de 2004.

«O número do documento, único e sequencial, apresentado pelo Semanário Expresso corresponde, na Base de dados da Segurança Social, a um documento de pagamento emitido para uma outra entidade, cujo nome e dados constantes não têm qualquer relação com o caso em apreço», afirma o ISS, acrescentando que «até ao ano de 2006 - data de início da criação da aplicação nacional de conta corrente dos Trabalhadores Independentes – não havia, no Centro Distrital de Lisboa, conta corrente de qualquer trabalhador independente que permitisse simulações com base num eventual histórico desde 1999».

O Instituto garante ainda que o valor de 7.534,82 euros, referido pelo Expresso, «não corresponde ao valor constante do Sistema de Informação da Segurança Social (…)».