A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, defendeu, esta quinta-feira, em Coimbra, a interligação entre os sectores público, privado e social para assegurar um sistema de saúde justo.

«Um sistema justo implicará quase seguramente a interligação entre os diferentes sistemas de apoio à saúde: o sistema público, o sistema privado e o sistema social, por via das misericórdias», afirmou Manuela Ferreira Leite, em declarações aos jornalistas, no final de uma sessão do Fórum Portugal de Verdade.

Ao comentar as intervenções feitas na sessão, dedicada ao tema da saúde, a líder social-democrata afirmou que existe «uma forte irracionalidade» na despesa feita em Portugal neste sector.

«O facto de Portugal ser dos países que tem uma das mais elevadas despesas com saúde à semelhança de países muito desenvolvidos e até superior a muitos desses países, com os resultados que todos nós conhecemos, significa que existe uma forte irracionalidade na forma de fazer essa despesa e isso é um ponto que compete a todos nós ponderar bem e fazer propostas no sentido de alterar esta situação», vincou.

Manuela Ferreira Leite diz que «não se trata já de querer reduzir despesas». «Trata-se de ver que temos um nível elevadíssimo de despesa sem resultados e portanto a equiparação de resultados tem de ser feita também. Não há nenhum motivo para que Portugal não tenha resultados tão bons como esses países que gastam tanto como nós», sublinhou.

Ao ser questionada sobre propostas a apresentar à ministra da Saúde, após o que escutou na sessão desta noite, Manuela Ferreira Leite frisou que se trata de «um assunto muito sério, que tem de ter uma enorme ponderação».

No debate, moderado pelo catedrático de Medicina Massano Cardoso, foram oradores o director do Centro de Cirurgia Cardiotorácica dos Hospitais da Universidade de Coimbra, Manuel Antunes, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mora, Manuel Caldas de Almeida, e a presidente da comissão executiva da Espírito Santo Saúde, SGPS, SA, Isabel Vaz, tendo também discursado o dirigente do PSD José Pedro Aguiar Branco.

«Actualmente é quase impossível gerir o Serviço Nacional de Saúde numa perspectiva de eficiência. Além do mais, o sistema assenta num quadro legislativo incoerente, ambíguo e cheio de remendos e é extremamente despesista, burocrático, lento e ineficiente», frisou Manuel Antunes.

«Interesses corporativos, tanto internos como externos, e a própria inércia do sistema têm impedido a implementação de reformas cada vez mais desesperadamente urgentes. Na última década e meia, os sucessivos governos limitaram-se a alterações essencialmente cosméticas, muitas vezes contraditórias», sublinhou o autor de «A Doença da Saúde».

Vários autarcas da região e dirigentes locais do PSD, Barbosa de Melo, Paulo Mota Pinto e Calvão da Silva foram alguns dos presentes na sessão, que encheu, quinta-feira à noite, o Pavilhão Centro de Portugal.