Rui Rio não fecha a porta a mais "acordos estruturais" com o PS. A Justiça e a Saúde são duas das áreas em que o PSD vai apresentar reformas estruturais, que são "extremamente necessárias" para o país, disse este sábado o presidente do do PSD.

Em Coimbra, no final da primeira reunião do Conselho Estratégico Nacional, o líder social-democrata respondia assim à rejeição de António Costa sobre um Bloco Central.

Rui Rio disse que a "Justiça do país carece de reforma profunda e global, não de uma coisa pontual".

A semana da Saúde permitiu-me ver melhor, já todos sabíamos disso, a situação dificilíssima do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e de todo o sistema de saúde em Portugal", referiu.

Segundo Rui Rio, esta área carece também de uma "atenção especial e de uma reforma, não digo que seja tão profunda como a da justiça, mas carece de uma reforma".

O que vamos fazer são propostas no sentido da reformulação do SNS e do sistema nacional de saúde", adiantou o dirigente, mostrando-se indiferente se a sua aplicação "é por acordo [com o Governo] ou por desacordo, no âmbito da tática política".

Referindo que a saúde é a área que mais "toca" aos portugueses, o antigo presidente da Câmara do Porto considera que "não podemos ter pessoas à espera dois, três, quatro, cinco, seis meses para fazer uma intervenção cirúrgica, ou ter uma simples consulta".

Para o líder social-democrata, "isso não pode acontecer" e o partido vai "tentar contribuir com propostas sérias, pensadas, estudadas e participadas para ajudar Portugal a resolver essas questões".

"Sendo oposição, ajudamos, ganhando as eleições, lideramos, mas queremos acima de tudo o bem de Portugal", sublinhou.

Rui Rio apontou ainda o sistema político e a baixa natalidade, associado às questões da segurança social e da desertificação do interior como áreas em que o PSD vai começar a "construir propostas para ajudar Portugal a ultrapassar estas questões".

Salientando mais uma vez que uma solução política de bloco central, rejeitada pelo primeiro-ministro socialista António Costa, só aconteceu uma vez e foi uma situação "extremamente extraordinária", o presidente do PSD considera que isso "nada tem a ver com acordos estruturais".

Independentemente de quem ganha as eleições, de quem está no poder atualmente, o país como um todo precisa do Governo e da oposição, dos partidos todos, para fazer essas reformas estruturais, senão Portugal nunca as fará e atrasa o seu desenvolvimento", sustentou.

A posição do PSD, acrescentou, é a de "ter soluções e propostas para os estrangulamentos que Portugal tem".

Sem pressa em construir programa de Governo

O PSD pretende construir um programa eleitoral de Governo de forma cadenciada e "não à pressa", conjugando o contributo de várias gerações, disse também este sábado o presidente do partido.

O líder social-democrata, que falava à entrada para a primeira reunião do Conselho Estratégico Nacional, salientou que o PSD "pretende ter soluções e começar a construir um programa eleitoral de Governo".

O que hoje vamos articular são os procedimentos, a forma como no futuro vamos trabalhar, porque [este órgão] envolve mais de 30 pessoas, mas depois a dinamização do Conselho Estratégico Nacional vai envolver centenas de pessoas", explicou aos jornalistas.

Rui Rio disse ainda que este órgão pretende criar um novo espaço de militância, no qual os portugueses tenham um partido político em que "possam militar em razão dos temas de que mais gostam e não exclusivamente naquelas coisas muito partidárias que pouca gente gosta".

Sobre o Conselho Estratégico Nacional, o presidente do PSD disse que houve um "esforço em conciliar pessoas mais experientes, com mais ponderação, e, por outro lado, pessoas mais jovens, com mais ambição, mais vontade".

"É assim que uma sociedade evolui, na conjugação das gerações, em harmonia com o passado, presente e futuro, não é com ruturas geracionais", frisou Rui Rio.