Caiu mal a Rui Rio, o almoço entre Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes, nas vésperas do provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa anunciar que também era candidato à presidência no PSD, nas eleições marcadas para 13 de janeiro. Em entrevista no Jornal das 8 de TVI, este domingo, o antigo autarca portuense acabou por não disfarçar, assumindo que não gostaria de estar com o Presidente da República num altura em que desenha uma batalha partidária.

Se fosse Presidente da República não o teria feito. Mas fez. Pronto!", afirmou Rui Rio, contestando também haver dirigentes do PSD "cargos relevantes na sede nacinal, que estão na candidatura do dr. Santana Lopes. São livres de estar, mas então têm de sair rapidamente. Já deviam ter saído dos lugares que têm".

Questionado sobre o que o distingue de Pedro Santana Lopes, o outro candidato anunciado à liderança do PSD, Rui Rio foi expressivo: "Ui, tanta coisa!".

Santana Lopes está mais no centro-direita e eu no centro-esquerda" e fez questão de frisar o apoio de André Ventura ao antigo primeiro-ministro.

Basta ver o apoio que o homem de Loures, o André Ventura lhe dá. É notoriamente um apoio ideológico. Diz, "vou apoiar Santana Lopes para evitar que venha o Rio. Isto é meramente idologico. Que eu saiba não são amigos", afirmou.

Santana Lopes "está nos sítios. Sai a meio"

Considerando que Santana Lopes deveria sair já do cargo de provedor da Santa Casa, Rui Rio defendeu haver entre os dois diferenças ideológicas - "ele está mais no centro-direita e eu mais no centro-esquerda", masl, sobretudo, de "personalidade"

O que nos pode distinguir é a maneira de ser", afirmou Rio, recusando a ideia de ser "hesitante": "Antes, houve coisa diferente. Ganhei três eleições no Porto e pediram-me para ser candidato. Estava no início do terceiro mandato e eu cumpro a minha palavra até ao fim. O mandato é para cumprir".

Acusando Santana Lopes de ser "ao contrário. Está nos sítios. Sai a meio", Rui Rio defendeu que, as eleições no PSD, trarão mais  "um choque de personalidades. Basta olhar para o meu trajeto ao longo de vida e o trajeto de Santana Lopes".

Ainda há pouco tempo poderia ser candidato à Câmara de Lisboa. Deixou arrastar no tempo criando até dificuldades ao PSD. Depois não foi porque estava apaixonado pelo trabalho na Santa Casa. Passaram-se quatro meses e já sai da Santa Casa, porque está apaixonado pela liderança do PSD", ironizou Rui Rio.

Bloco Central rejeitado

Na entrevista à TVI, Rui Rio desvalorizou que o facto de não ser deputado o possa prejudicar se vier a liderar o PSD e assegurou que "não vai haver purga nenhuma" no grupo parlamentar, cuja direção foi eleita antes do verão.

Este grupo parlamentar está no exercício de funções, foi eleito democraticamente, estão lá e vão seguramente cumprir o seu papel, independentemente do presidente que for eleito", disse, admitindo, contudo, querer abrir mais o partido à sociedade.

Veemente, foi Rio na rejeição de um governo de Bloco Central com o PS, caso venha a liderar o PSD, até às eleições legislativas, em 2019, já que não sendo "vidente", "a legislatura tem condições para chegar até ao fim".

Onde é que eu disse que se for presidente, o PSD joga para o segundo lugar e não para o primeiro. Onde é que eu disse isso? O que eu disse é muito diferente. Acho que os partdos têm de por interesses partidários de lado e têm de se entender sobre aquilo que são as reformas estruturais fundamentais para o avanço do país", afirmou Rui Rio.

Ainda assim, o candidato admitiu que antes das legislativas previstas para 2019 "não há clima para essas reformas estruturais", salientando que o próximo presidente do PSD só estará em plenitude de funções em março do próximo ano.

PS "preso à esquerda"

Instado a comentar a proposta de Orçamento do Estado para 2018, Rui Rio ressalvou ainda não ter analisado o documento com pormenor, mas considerou que se dirige mais para o presente “do que para o futuro".

Se eu estivesse à frente do Governo, ou o dr. Pedro Passos Coelho, já teríamos conseguido um défice zero neste momento", disse, ilustrando a sua posição com a fábula da "cigarra e da formiga. A cigarra no verão toca e a formiga trabalha".

Para o economista, numa primeira apreciação do Orçamento do Estado para 2018, não há "medidas a acarinhar a poupança e o investimento", considerando ser fundamental "criar um ambiente favorável para as empresas", de forma a potenciar "o investimento privado e as exportações que são vitais".

O Partido Socialista não sei se quer fazer melhor ou se não quer. Mas não pode fazer melhor, porque está preso à esquerda que é quem impõe", salientou Rui Rio, considerando que era possível "fazer mais" do que reduzir o défice de 1,4% para 1%".