O presidente do PSD, Rui Rio, admitiu que será mais difícil fazer um acordo com o Governo na área da saúde do que os dois entendimentos que serão formalizados esta quarta-feira à tarde, sobre fundos europeus e descentralização.

No final de uma reunião de mais de hora e meia com a Ordem dos Enfermeiros, em Lisboa, Rui Rio fez um diagnóstico de uma “degradação muito grande no Serviço Nacional de Saúde” (SNS) e, questionado se esta área poderá ser de mais difícil entendimento com o Governo, respondeu afirmativamente.

Sim, diria que sim, é mais fácil fazer um acordo para defender a posição de Portugal em Bruxelas e para que o Governo tenha força para poder pedir o maior valor possível de fundos comunitários ou mesmo na descentralização, que é uma reforma profunda e profundamente estrutural”, afirmou.

Sobre os acordos que formalizará hoje ao final da tarde, na residência oficial do primeiro-ministro, ao lado de António Costa, Rui Rio explicou que o que se pretende é “de um lado receber mais dinheiro e, do outro, até eventualmente gastar menos dinheiro”, referindo-se respetivamente aos entendimentos sobre fundos europeus e descentralização.

O SNS é algo mais complexo, o que não deixa de valorizar o que hoje à tarde vamos acordar”, afirmou.

Rui Rio escusou-se a responder a uma pergunta sobre um eventual afastamento em relação a Pedro Santana Lopes, candidato derrotado nas últimas eleições diretas para a liderança do PSD: “Como hoje só falo sobre saúde, só se ele estivesse doente, mas penso que está de boa saúde”, respondeu, em tom bem-disposto.

Na terça-feira, o jornal i noticiou que o presidente do PSD e o candidato derrotado nas diretas estariam à beira da rutura política, depois de Rio não ter incluído nenhuma das sugestões feitas por Santana para integrar o Conselho Estratégico Nacional, o que o antigo primeiro-ministro considerava violar o acordo feito por ambos no Congresso de listas de unidade para todos os órgãos nacionais do partido, à exceção da Comissão Política.

Santana Lopes não quis falar em rutura, mas confirmou a inexistência de trabalho conjunto com Rio desde o Congresso, admitindo que o líder tem o direito de seguir o seu caminho.

No âmbito da semana dedicada ao setor da saúde, Rui Rio reuniu-se esta quarta-feira de manhã com representantes do Sindicato Independente dos Médicos e da Ordem dos Enfermeiros.

Os dois encontros mostraram a carência de pessoal, seja de pessoal médico, seja de enfermeiros”, afirmou, dizendo ter ouvido relatos de alguns serviços que fecham por falta de pessoal e sobre a má qualidade da prestação de serviços.

Para o líder do PSD, o diagnóstico que esta semana dedicada à saúde lhe permite fazer é de uma “degradação muito grande do SNS”.

Quando o Governo diz que a economia está fluorescente, que tudo está melhor, não se compreende como é que a saúde - que é algo verdadeiramente nuclear - esteja pior, há algo que não bate certo”, lamentou.

Rio sublinhou que, até no tempo da ‘troika’ em Portugal, os indicadores na área da saúde “eram mais favoráveis”.

“A austeridade que o Governo tanto diz que acabou é uma austeridade que aparece noutro lado, em serviços de menor qualidade e piores serviços à população”, criticou, defendendo que, se nenhum partido tem uma máquina de fazer dinheiro, será necessário “disciplinar melhor a gestão”.

Sobre o anúncio do hoje, feito pelo ministro da Saúde de que a nova ala pediátrica do hospital de São João, no Porto, deve estar concluída dentro de dois anos, o presidente do PSD considerou este tempo “um bocadinho demais”, embora admitindo que neste caso se trata de questões mais relacionadas com obras do que com a saúde.

Sobre o Hospital de São João, Rio remeteu mais comentários para sexta-feira, quando visitar esta unidade hospitalar, e referiu que foi alertado para casos preocupantes em outras urgências pediátricas, como a de Setúbal.

“Vamos lá ver se não é preciso uma nova onda de notícias sobre um qualquer serviço para que o ministro das Finanças ou Saúde ou os dois acabem por decidir o que já poderia ter sido decidido antes”, afirmou.

Rui Rio esteve acompanhado nestas reuniões pelo vogal da Comissão Política Nacional do PSD Maló de Abreu e pelos deputados Adão Silva e Pedro Pinto, que é também presidente da distrital de Lisboa do partido.