O PS considerou ser "indigno" que Paulo Rangel tente tirar ganhos políticos da tragédia de Pedrógão Grande, acusando o eurodeputado do PSD de mentir porque o Governo não fez cortes, mas sim aumentou orçamentos em áreas centrais do Estado.

Na Universidade de Verão do PSD, hoje de manhã, o eurodeputado Paulo Rangel acusou o Governo de "dar com uma mão e tirar com a outra" e de "deteriorar o Estado" com "cortes brutais" que já causaram vítimas "e não foram poucas".

Aquilo que Paulo Rangel diz é grave por duas razões: a primeira é que é pura e simplesmente mentira o que diz porque não houve qualquer corte, muito menos um corte brutal, na saúde, na educação ou na proteção civil", acusou o porta-voz do PS, João Galamba, garantindo que "os orçamentos nessas áreas cresceram todos", dados que "são públicos e facilmente comprováveis".

Por outro, "a tentativa de instrumentalização da tragédia de Pedrógão Grande para ganhos políticos" é, na opinião do socialista, "uma atitude indigna que resulta do desespero político em que o PSD se encontra".

Ficamos hoje a saber que a Universidade de Verão do PSD se está a especializar em lecionar factos alternativos e indignidade política e escolheu um bom representante para isso porque Paulo Rangel, em indignidade, já nos tem dado vários exemplos no passado e voltou a dá-los hoje", condenou.

De acordo com João Galamba, "os únicos cortes radicais nessas áreas foram feitos durante o Governo PSD/CDS que Paulo Rangel apoiou entusiasticamente".

Essa tentativa de tirar dividendos políticos de mortes e de uma tragédia é um momento muito triste na democracia portuguesa e eu espero que o PSD saia desse registo rapidamente para bem de todos nós e do próprio PSD", apelou.

"Deteriorar o Estado"

De manhã, em Castelo de Vide, na Universidade de Verão do PSD, o eurodeputado acusou o primeiro-ministro de "confundir o Estado social com o Estado salarial", aumentando rendimentos mas, para cumprir as metas orçamentais europeias, fazer "cortes brutais" em áreas como a educação, saúde, segurança e proteção civil.

O que lamento é que, para cumprirmos as metas europeias e criar a tal ilusão do Estado salarial, tenhamos criado condições de deterioração, de degradação dos nossos serviços públicos essenciais que já causaram vítimas e não foram poucas, é isto que eu lamento", disse, numa referência implícita às vítimas mortais (pelo menos 64) dos incêndios que começaram em Pedrógão Grande.

Para Rangel, aquilo que o Governo "dá com uma mão" - devolução de rendimentos de uma só vez e aumento de pensões - é menos importante do que aquilo "que tira com a outra".

O governo da esquerda radical, que supostamente defende o Estado social e o Estado, tem uma política de rendimentos que pode ser de esquerda, mas tem uma política para o Estado que é ultraliberal: corta na saúde, corta na educação, corta na proteção civil", acusou.

Eu não tenho qualquer dúvida de que o caos que se viveu na época de incêndios tem a ver com os cortes", acrescentou.

"Vírus venezuelano"

Em defesa de Rangel, o PSD considerou que as críticas do deputado João Galamba mostram "um vírus venezuelano" e uma tentativa de "silenciar" quem pensa de maneira diferente.

Um vírus venezuelano pode estar a atacar o Partido Socialista e manipula a informação, faz afirmações que sabe serem falsas, e ainda recentemente António Costa acusou o líder do PSD de ter criticado os bombeiros; sabe que não é verdade mas fez a afirmação, não se pede desculpa nem se retrata", disse Duarte Pacheco à Lusa, reagindo às críticas de João Galamba à intervenção que o social-democrata Paulo Rangel fez na 'Universidade de Verão' do PSD.

Para o PSD, a reação socialista às críticas feitas esta manhã "tem um fim, que é 'bullying' político, é condicionar as intervenções de pessoas independentes, de pessoas que são deputados, dirigentes, antigos Presidentes da República, que falam sobre os problemas concretos do país".