As primeiras palavras de Paulo Rangel, depois de serem conhecidas as projeções das eleições, foram para o Partido Socialista, mas considerou que os socialistas não têm razão para «entrar na euforia» manifestada por Francisco Assis.

«Em primeiro lugar, a minha primeira palavra vai para saudar o Partido Socialista pela vitória que teve nas eleições europeias e saudar também o seu cabeça de lista Francisco Assis», afirmou o cabeça-de-lista do PSD.

Paulo Rangel lamentou a derrota da Aliança Portugal, mas sustentou que olhando para o que se passou com «muitos governos» da União Europeia, os resultados obtidos por PSD e CDS-PP são «comparativamente interessantes», e mostrou-se ainda preocupado com os níveis de abstenção.

«Obviamente que estamos preocupados com o nível de abstenção, apesar de não serem total surpresa. A abstenção é preocupante e dificulta as leituras que teremos de fazer».

Falando ainda sobre a vitória do PS, Rangel afirmou que «nada admite a mistificação que Francisco Assis ensaiou às oito horas. Digo isto, aliás, com alguma preocupação democrática».

«Qualquer pessoa que olhe para estes resultados com isenção e com naturalidade não deixará de dar os parabéns ao PS, mas não poderá entrar na euforia nem no tipo de condicionamento da opinião pública que ali foi feito», acrescentou.

O cabeça de lista do PS às eleições europeias falou numa «verdadeira derrota histórica» da direita e no início de «um novo ciclo», alegando que os portugueses demonstraram uma vontade de «mudança».

Paulo Rangel contrapôs: «Mesmo que se confirmassem as melhores projeções, o que não é provável, os resultados do PS não são de molde à exultação, nem a vitória estrondosa, nem a vitória histórica. Aliás, basta comparar históricos do próprio PS para logo perceber isso».

«Claro que o PS ganhou as eleições. Se ganhou, merece os parabéns. Nós perdemos e ficámos em segundo lugar, lamentamos isso», ressalvou, contudo, o social-democrata, dirigindo «saudações democráticas» e «de amizade e cordialidade» a Francisco Assis.

O cabeça-de-lista endereçou ainda «os parabéns à CDU e a Marinho Pinto, do MPT», dizendo que tiveram «resultados relevantes nesta noite».

No final da sua declaração, agradeceu a todos os que dirigiram e apoiaram a campanha da Aliança Portugal: «Foram decisivos para que o nosso resultado fosse, apesar de tudo, um resultado do qual nos honramos».

Rangel remete reflexão para reuniões de PSD, CDS-PP e da coligação

O cabeça de lista da Aliança Portugal ao Parlamento Europeu remeteu uma reflexão sobre a derrota nas eleições europeias para reuniões do PSD, CDS-PP e da coligação.

«Há uma coisa que eu não vou fazer hoje ainda que é análise política. Ainda estou fresco como candidato. Aos candidatos não cabe fazer análise, cabe fazer política», afirmou Paulo Rangel, em resposta aos jornalistas, no hotel onde se concentraram os candidatos e dirigentes da coligação PSD/CDS-PP.

«Em todo o caso, obviamente que nós vamos refletir sobre estes resultados. Teremos reuniões dos dois partidos, teremos com certeza reuniões da coligação para fazer essa reflexão. A seu tempo isso será digerido, tudo isso será devidamente processado e, naturalmente, nós não deixaremos de tirar as nossas conclusões para a nossa ação política futura», acrescentou.