O presidente do PSD despediu-se esta quinta-feira do Conselho Nacional acusando o Governo de ter “perdido o rumo” e manifestou a convicção de que o partido, já com nova liderança, terá tempo para demonstrar que é alternativa.

De acordo com relatos de fontes presentes na reunião, na sua intervenção perante o último Conselho Nacional do partido em que participa como líder, Passos Coelho acusou o Governo de se arriscar a chegar a 2019 com “uma legislatura perdida”.

Num discurso centrado no Orçamento do Estado para o próximo ano – sobre o qual o partido já anunciou o voto contra – e nas práticas políticas da atual maioria de esquerda, o líder social-democrata defendeu que, desde a tragédia dos incêndios de Pedrógão, o Governo perdeu o rumo e não voltou a encontrar o seu “fio condutor”.

Como exemplos da desorientação do Executivo, Passos apontou o anúncio da transferência do Infarmed para o Porto, considerando que “mete dó” a forma como o Governo está a gerir este processo.

O líder do PSD criticou igualmente recentes afirmações do ministro do Ambiente, sobre um eventual aumento do preço da água, ironizando que “em abstrato a água poderia aumentar, mas em concreto não”, numa alusão à forma como o primeiro-ministro, António Costa, se referiu à hipótese de contagem do tempo de serviço no descongelamento de carreiras.

Sobre este ponto, Passos recordou o artigo que publicou esta semana na ‘newsletter’ do PSD e onde salientava que foi um Governo do PS, em 2010, que congelou as carreiras e que previu que o tempo de serviço não contasse no futuro.

Passos voltou a acusar o Executivo, apoiado à esquerda, de cortar mais nas políticas públicas do que o anterior governo PSD/CDS-PP durante os tempos da 'troika', nomeadamente investindo em 2016 menos 29% na saúde, 60% no ensino básico e secundário e 48% no ensino superior e ciência.

Sobre o futuro do PSD – que terá um novo líder a 13 de janeiro -, Passos Coelho manifestou-se convicto de que o partido terá tempo para se preparar para, na segunda metade da legislatura, demonstrar que é uma alternativa ao Governo liderado por António Costa.

Deixámos o país incomparavelmente melhor do que aquele que nos entregaram”, afirmou, numa intervenção em que foi aplaudido de pé e na qual agradeceu o apoio do Conselho Nacional à orientação da liderança.

O Conselho Nacional desta quinta-feira demorou pouco mais de uma hora e meia – tendo Passos Coelho falado cerca de meia hora -, com poucas intervenções depois da do presidente do partido.

Foi ainda aprovado, por unanimidade, o orçamento do PSD para o próximo ano.

O PSD escolhe o seu próximo líder em eleições diretas em 13 de janeiro, com Congresso entre 16 e 18 de fevereiro, tendo, até agora, como candidatos o antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes e o ex-presidente da Câmara Municipal do Porto Rui Rio.