O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou este domingo, em Quarteira, que o Governo, no âmbito da preparação do Orçamento do Estado para 2017, deveria corrigir a trajetória seguida, depois dos dados estarem a ser "desmentidos pela realidade".

O Governo terá de avaliar "devidamente, na preparação agora do Orçamento do Estado para 2017, qual a melhor maneira de corrigir a trajetória que vem seguindo", disse o líder social democrata.

Passos Coelho espera que o executivo socialista possa fazer essa correção, "sobretudo dando credibilidade aos números que vieram apresentar, dado que os que constam do Orçamento do Estado, que foi aprovado para este ano, estão a ser desmentidos pela realidade".

O presidente do PSD falava aos jornalistas à entrada da Festa do Pontal, no calçadão de Quarteira, freguesia do concelho algarvio de Loulé, reagindo aos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), na sexta-feira.

A economia portuguesa cresceu 0,2% entre abril e junho, face ao primeiro trimestre deste ano, taxa idêntica à dos dois trimestres anteriores, e avançou 0,8% em termos homólogos, divulgou o INE.

Passos Coelho recordou que ainda "nenhum membro do Governo" falou dos dados divulgados pelo INE, considerando que os dados revelados "não são números bons, de facto".

Apesar disso, o líder do PSD enfatizou que não é um pessimista: "Não é uma questão de opinião. Gostava de estar mais otimista para o país, porque isso era um bom sinal para toda a gente".

É muito negativo quando os governantes fazem de conta que não veem a realidade e isso normalmente é um mau sinal para o futuro, e eu gostaria que o nosso futuro pudesse ser melhor do que aquilo que os números que agora vêm sendo divulgados apontam", disse o presidente social-democrata, que discursa hoje na Festa do Pontal, pelo sétimo ano consecutivo, agora como líder da oposição.

Os valores divulgados na estimativa rápida do INE ficam abaixo da estimativa média de analistas contactados pela Lusa, que previam um crescimento de 0,4%, em cadeia, e de 1%, em termos homólogos.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou contraditórios os dados sobre a economia portuguesa divulgados, sublinhando que é necessário continuar o esforço de contenção orçamental.

O Ministério das Finanças, num comunicado, reiterou que a meta de redução do défice será cumprida este ano, apesar de o crescimento económico, no segundo trimestre, ter sido inferior ao subjacente no OE2016.

Solução de Governo está esgotada porque só sabe "fazer o que é fácil"

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou ainda que a solução de Governo está esgotada, porque apenas sabe "fazer o que é fácil".

A solução de Governo PS, com apoio parlamentar do BE, PCP e PEV, "está esgotada", vincou o líder social-democrata, considerando que o executivo socialista "só sabe fazer o que é fácil, e o que é difícil, o que exige alguma coragem, o que exige algum reformismo, isso não mora neste Governo".

Esta 'troika' governativa só sabe fazer o que é fácil. Depois do que é fácil, acabam-se as boas ideias", realçou, referindo que o atual Governo "não tem nada para oferecer do ponto de vista económico, a não ser estagnação e, eventualmente, o conflito com credores, com as instituições europeias e com os investidores".

Apesar de sentenciar o "esgotamento" da solução governativa, Passos Coelho acredita que ela "até pode durar até ao fim da legislatura".

PS, PCP, BE e PEV "lá tratarão de aprovar o Orçamento do Estado para 2017", asseverou o antigo primeiro-ministro, que discursava durante a Festa do Pontal, no calçadão de Quarteira, freguesia do concelho algarvio de Loulé.

Passos considera que os partidos que apoiam o Governo "estão unidos nesta solução", ensaiando umas "discordâncias apenas para ver se conseguem manter algum espaço próprio".

Realçando várias vezes que a economia do país está "estagnada", o antigo primeiro-ministro criticou ainda a falta de respostas por parte do executivo do PS, para "explicar o que se passa com a economia".

Quando o Governo falha, "não há um membro a explicar ou a dar a cara. É impossível encontrar um membro do Governo", constatou, referindo que o ministro da Economia, o ministro das Finanças ou o primeiro-ministro poderiam dar uma explicação.

No entanto, Passos Coelho disse que não sabe se António Costa não estará "em alguma mesa de café a recordar aos membros do seu Governo como se devem comportar, sendo que não consegue porque eles esquecem-se todos os dias dos conselhos que ele lhes dá".

O Governo sabe que, no PSD, "há lá um tipo que não se importa de dar as más notícias", apontou, referindo, já no final do seu discurso, que o partido que lidera leva "a sério" o país e fará o que "é difícil" e "o que é preciso".