Resgate, a palavra em que muitos pensam, mas ninguém parece querer pronunciar, marcou também o discurso de encerramento das jornadas parlamentares do PSD, em Coimbra, pelo presidente do partido.

Aí, Passos Coelho sustentou que se Portugal voltar a ter um "mal maior", numa referência implícita a um novo resgate, tal acontecerá "em consequência de ato deliberado". Porque não será aceitável que tal aconteça por incompetência ou distração.

No encerramento das jornadas parlamentares do PSD, em Coimbra, Pedro Passos Coelho recordou o período de 2010 que antecedeu o anterior resgate da 'troika' e em que o Governo socialista, então liderado por José Sócrates, pediu "responsabilidade" aos sociais-democratas para evitar o "mal maior".

O líder do PSD lembrou que então "o mal maior acabou por acontecer".

Desta vez, se acontecer qualquer coisa desse tipo, só por consequência de ato deliberado. Quem passou pelo que nós já passámos não pode aceitar que haja qualquer ingenuidade, desatenção, incompetência, distração que permita que uma coisa dessas", alertou Passos Coelho.

Compromissos, não obrigado 

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, rejeitou fazer compromissos com aqueles que, segundo o próprio, "atiram pedras" às ideias do partido e rompem com as opções tomadas pelo anterior Governo, classificando esse comportamento como "revanchista".

No encerramento das jornadas parlamentares do PSD, em Coimbra, o líder social-democrata alertou que não esperem do partido "uma conversa cínica sobre compromissos".

"Não podemos fazer compromissos com quem é revanchista, nós fazemos compromissos com os portugueses e com quem quer fazer realmente compromissos e não com quem nos atira pedras todos os dias", disse.

Quem quer compromissos não anda à pedrada, anda a ver com cuidado onde nos podemos entender", acrescentou.

À espera do Orçamento

No final das jornadas e à semelhança do que já dissera o líder parlamentar, Luís Montenegro, o presidente do PSD rejeitou ""embarcar" nos pedidos para que apresente as suas propostas em relação ao Orçamento do Estado, sem que seja ainda conhecido o documento.

Não embarcaremos nesta onda que está a ser criada de começarmos a discutir o que não sabemos que vai ser proposto (...) Vamos deixá-los entenderem-se sobre a proposta que vão fazer ao país e nessa altura trataremos de discutir esse futuro mais imediato", defendeu.

Na sua intervenção, Passos Coelho manifestou-se ainda crítico das recentes cimeiras que juntaram os países do sul, nas quais o primeiro-ministro, António Costa, participou.

Sempre achei que a melhor maneira de vencer as nossas dificuldades e de mudar a Europa era cada um assumir as suas responsabilidades ... Mais uma vez não é a andar à pedrada aos outros países que se resolve o problema da Europa, não se resolve a cavar o fosso entre norte e sul, este/oeste", defendeu Passos Coelho.