O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, acusou o Governo de desinvestir em meios essenciais na educação, saúde, defesa e segurança interna, sublinhando que apenas foi criada uma "ilusão".

Dizem que as coisas estão resolvidas, mas fazem o contrário do que prometeram, pois desinvestiram, criando problemas nas políticas públicas. Olhando para a saúde, educação, defesa e segurança interna vemos que faltam meios essenciais em termos de investimento", afirmou Pedro Passos Coelho, à margem da apresentação de candidaturas autárquicas do partido ao concelho de Vila do Conde, Porto.

Numa referência a "ilusões", o líder do PSD acrescentou que o Governo do PS "quis dar a impressão de que tudo se resolvia, que haveria dinheiro para tudo e que gastando mais era possível ter menos défice", mas, segundo Passos Coelho, esta é uma "mentira com perna curta" em relação à qual "será uma questão de tempo até que as pessoas percebam".

Sobre a questão do investimento, o líder do principal do partido da oposição referiu uma "denúncia de um sindicato de que o Governo estava a fazer pressões para que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) acelerasse o processo de receção dos turistas que chegam a Portugal, dizendo que estava muito demorado".

Se o país quer ter uma presença turística mais forte tem de investir nela e criar condições para receber bem. Não podemos dizer ao SEF que trabalhe mais quando recebemos mais turistas, se temos o mesmo número de pessoas a trabalhar e com as mesmas condições", criticou Pedro Passos Coelho.

O ex-primeiro ministro reconheceu "que não é possível investir em tudo", mas considerou que as escolhas a fazer terão "de ser claras e transparentes", acusando o Governo de "dizer uma coisa, mas fazer outra".

Este é um Governo de geringonça em que as partes que o apoiam desconfiam dos investidores, da economia social de mercado, do Euro, da Europa, da NATO, e de tudo o que é importante para nós e que nos permite crescer e viver com segurança", vincou.

Nesse sentido, Pedro Passos Coelho apontou que o executivo socialista "está sempre a fazer equilíbrios" e que os partidos que o sustentam, Bloco de Esquerda, PCP e PEV, "fazem de conta que o que disseram no passado foi dito com convicção, mas, se o fosse, não podiam estar a apoiar o contrário do que defendiam anteriormente".

 

PSD acusa Governo de instrumentalização para não prestar contas 

O líder do PSD respondeu, também, às acusações de “aproveitamento político” do primeiro-ministro, dizendo que António Costa está a instrumentalizar os incêndios de Pedrógão Grande para não prestar contas do está a fazer.

Não podemos permitir que o Governo vá instrumentalizando, que é o que vem acontecendo, o que ocorreu de trágico [nos incêndios de junho], para depois não estar disponível para prestar contas sobre aquilo que faz, mas sobretudo o que não faz”, disse Pedro Passos Coelho, nesta altura já à entrada para convenção autárquica distrital do PSD de Viana do Castelo, em Valença.

Para Passos Coelho, o Governo “talvez preferisse não ter oposição”, nem que estes assuntos sejam discutidos publicamente, acusando ainda o executivo de “estar muito lento a responder às necessidades das pessoas” afetadas pelos incêndios que fizeram 64 mortos e mais de 250 feridos.

O líder do PSD insistiu nas críticas à incompetência do Governo na distribuição da ajuda às vítimas - os donativos de 13,3 milhões - que lhe valeram a frase do ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, de que não sabe do que fala.

O Estado "falhou quando a tragédia aconteceu" em junho e continua "a chegar atrasado, a demorar" na chegada da ajuda, afirmou Passos, atacando ainda as sucessivas visitas de ministros a Pedrógão Grande.

"Chega a ser indecoroso a forma como, à vez, os ministros se passeiam à frente das TV naquele cenário", acusou.

De resto, lembrou que o PSD defendeu um processo rápido para indemnizar os familiares das vítimas dos incêndios e que, passado um mês, nada foi ainda decidido pelo executivo.

Os incêndios de junho iniciados em Pedrógão Grande provocaram 64 mortos e mais de 200 feridos e consumiram mais de 53 mil hectares.

Os fogos da região Centro afetaram aproximadamente 500 habitações, quase 50 empresas e os empregos de 372 pessoas.

Os prejuízos diretos dos incêndios ascendem a 193,3 milhões de euros, estimando-se em 303,5 milhões o investimento em medidas de prevenção e relançamento da economia.