O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, afirmou hoje que as declarações do secretário-geral socialista sobre Manuela Ferreira Leite encerram uma semana de "total confusão", e que o PS "já não diz coisa com coisa".

"Essas declarações vêm numa semana onde grassou a total confusão no seio do PS. Num dia faz uma promessa e noutro dia despromete, disse que a gestão dos cartazes foi uma aselhice mas concordou com o seu conteúdo. Deu-se o insólito de ter apresentado com uma ex-presidente do PS uma lista às legislativas de manhã e à tarde essa mesma ex-presidente ter apresentado a sua candidatura presidencial", afirmou Montenegro.

Luís Montenegro comentava à Lusa as afirmações do líder do PS, António Costa, sobre a antiga presidente do PSD Manuela Ferreira Leite, que tem sido crítica do atual Governo e com quem o secretário-geral socialista disse partilhar "uma identidade de pontos de vista muito significativa".

As declarações, numa entrevista publicada hoje no semanário Sol, surgem no contexto de uma pergunta sobre se António Costa coloca a hipótese de Pacheco Pereira ou Manuela Ferreira poderem fazer parte do seu governo, sendo que o líder socialista não exclui taxativamente a antiga presidente do PSD desse quadro hipotético.

"O que eu estranho é que António Costa não tenha aproveitado para expressar proximidade programática com Maria de Belém Roseira para se apresentar muito próximo de uma ex-presidente do PSD", considerou Luís Montenegro.


Para o líder parlamentar do PSD e cabeça-de-lista por Aveiro pela coligação Portugal à Frente, "o PS já não diz coisa com coisa e não contribui para o esclarecimento político das propostas em cima da mesa para as próximas eleições".

"Não estão preparados para governar Portugal", declarou.

Questionado sobre uma leitura das declarações de António Costa no sentido de o líder socialista ter uma incompatibilidade com o PSD de Pedro Passos Coelho mas ter proximidade com outras figuras sociais-democratas, Montenegro não respondeu diretamente à pergunta.

"Toda esta confusão nas hostes do PS deve-se ao facto de há um ano pensarem que por graça divina os portugueses lhe confiariam o Governo do país. Os portugueses têm cada vez mais a convicção de que o resultado está em aberto e muitos têm mesmo a convicção fundada que a coligação merece a sua confiança", disse.