Pedro Passos Coelho discursou pela última vez como líder do PSD num congresso do partido, esta sexta-feira. Na despedida, Passos Coelho olhou para o passado para dizer que a sua liderança “não falhou ao país” e disse sentir-se "feliz" por "pertencer a um partido reformista, realista, que rejeita os vanguardismos". O social-democrata deixou ainda vários avisos à nova liderança, vincando que "é preciso bater a geringonça" e salientando o papel do CDS no passado como um ponto a reter para o futuro. 

Não é fácil bater a geringonça, mas é preciso bater a geringonça", frisou.

O ex-primeiro-ministro começou o seu discurso, de cerca de 30 minutos, fazendo um balanço da sua liderança. Passos Coelho considerou que o PSD "não falhou ao país" e que o tirou da "bancarrota em que os socialistas o deixaram".

No passado desta liderança fizemos sobretudo o que era essencial e importante e nisso não falhámos ao país. Quando digo que não falhámos foi porque realmente tirámos o país da bancarrota em que os socialistas os deixaram, restaurámos a nossa credibilidade externa, conseguimos recuperar o crescimento da economia e do emprego numa altura particularmente exigente, sem agravar as desigualdades”, destacou.

"Nunca estivemos demasiado agarrados a um corpo dogmático, ideológico, como outros que quiseram sempre meter a sociedade nas suas simplificações tão redutoras", continuou.

E não deixou de elogiar o CDS-PP, com quem o PSD formou governo, deixando um aviso: o contributo dos centristas "pode ser importante para o futuro".

Fizemos um caminho que nos permitiu com o CDS-PP dar estabilidade e confiança traduzida no facto de pela primeira vez um governo de coligação ter cumprido a legislatura. O que conseguimos fazer não fizemos sozinhos e isso é importante e será importante para o futuro", frisou.

Depois, Passos Coelho descreveu o atual momento político, deixando um rol de críticas ao Governo e aos partidos mais à esquerda que o apoiam no Parlamento. E acusou o atual Executivo socialista de "fazer a espargata" quantas vezes é necessário "para agradar a todos". 

Temos hoje uma solução que, do ponto de vista político, não oferece grandes dúvidas: temos um Governo centrado no curto prazo, que faz quantas vezes a espargata para ver se consegue agradar a todos. E não tem nenhum problema com a propaganda, aliás todos os anos repete atualizações extraordinárias das pensões em agosto como se não houvesse outros meses - porque agosto é o mês que antecedeu as autárquicas e é o mês que antecede as legislativas", destacou.

Por isso, Passos Coelho afirmou que o novo ciclo do PSD com Rui Rio na liderança do partido não trará facilidades, antes pelo contrário. "A tarefa não é fácil, é difícil, mas nós gostamos dos desafios difíceis. A mudança de liderança ajudará a provar que a geringonça continuou a ser uma solução mais oportunista e negativa do que positiva e construtiva. Sei que a batalha que temos pela frente é uma batalha difícil, mas difícil não é impossível", sublinhou.  

Não é fácil bater a geringonça, mas é preciso bater a geringonça", frisou 

Na hora da despedida, o ex-primeiro-ministro apresentou-se como um "soldado" que quer contribuir para "a união do partido".

Estou aqui como um soldado para contribuir para a união do nosso partido", vincou.

O 37.º Congresso Nacional do PSD começou esta sexta-feira à noite no Centro de Congressos de Lisboa e prolonga-se até domingo, com a eleição dos novos órgãos nacionais sob a liderança de Rui Rio.