O ex-líder parlamentar do PSD Luís Montenegro anunciou este sábado que vai deixar o parlamento a 5 de abril, 16 anos depois de ter tomado posse, e prometeu ao partido que poderá no futuro disputar a liderança.

Conhecem a minha convicção e a minha determinação, se for preciso estar cá, eu cá estarei, para o que der e vier, sem receio de nada e sem estar por conta de ninguém, sou totalmente livre”, afirmou perante o 37.º Congresso do PSD, na intervenção mais aplaudida de hoje.

Desta vez decidi não, se algum dia entender dizer sim, já sabem que não vou pedir licença a ninguém”, afirmou.

Luís Montenegro fez questão de sublinhar que “esta é a hora de Rui Rio” e prometeu “ajudá-lo” no seu mandato, mas pediu-lhe igualmente que “não transforme o PSD no clube de amigos de Rui Rio”, parafraseando uma frase do líder na noite da sua eleição, em 13 de janeiro.

Eu quero dizer-lhe com toda a franqueza, eu desejo toda a sorte, que faça um bom trabalho, quero para si o que quereria para mim”, disse.

No entanto, Montenegro deixou vários recados internos ao novo presidente eleito e à sua equipa, pedindo que se terminem “as guerras artificiais e os adversários internos virtuais”.

Eu não sou, não quero e não vou ser oposição interna a Rui Rio. Eu sou e continuarei a ser oposição a António Costa, a Catarina Martins e a Jerónimo de Sousa”, assegurou.

O ex-líder parlamentar considerou ter sido alvo do que chamou de “provocações e insinuações” nas últimas semanas.

Desde falta de coragem a taticismo, de calculismo a falta de autenticidade, o deslumbramento de alguns deu para quase tudo”, criticou.

Crítica a Rio

O ex-líder parlamentar considerou falso e injusto “acusar de falta de coragem quem passou últimos anos não num sofá ou lugar de resguardo, mas a dar o corpo às balas sem olhar a desgastes pessoais”, disse.

Não fui eu que estive à espera de disputar a liderança do PSD entre desejos alternantes de ser primeiro-ministro ou Presidente da República”, afirmou, numa referência direta a Rio, que recebeu aplausos.

E acrescentou que, se querem colar-lhe o “selo de calculismo”, haverá no partido “quem tenha a caderneta cheia e com mais selos” do que ele próprio nessa matéria.

Tenho na minha folha de serviços várias derrotas internas, mas nunca fiz opções a pensar ser candidato a coisa nenhuma e nenhum líder do PSD me pode acusar de deslealdade”, frisou.

Por isso, pediu a Rio que “ponha cobro a esses juízos de intenções” e concentre a sua energia no combate aos adversários externos, dizendo que “a sombra só incomoda os fracos”

Não deixe que o PSD se transforme no grupo dos amigos do Rui Rio ou na agremiação dos interesses do Rui Rio”, disse, numa das passagens mais aplaudidas e com gritos de “PSD, PSD”.

Sobre a sua decisão de deixar o lugar de deputado, Montenegro referiu que completou na sexta-feira 45 anos e considerou que é chegada a altura de dedicar mais tempo à sua profissão e à sua família.

Quero que saibam que não vou abandonar o combate, vou fazê-lo noutro local, na rádio, na televisão e porventura nos jornais, Mas estejam descansados, não o farei como outros, nesse combate vou sempre ajudar e representar o PSD”, assegurou.

"Taluda a Costa"

Ainda no Congresso, o ex-líder parlamentar social-democrata considerou como “um suicídio político” que o PSD pudesse ser “um apêndice” do atual PS, considerando que seria "oferecer a taluda a António Costa e a terminação a Assunção".

O PS é hoje mais bloquista que socialista, seja na ação interna de forma mais clara, seja no discurso europeu onde é mais dissimulado, o PS é mais de Louçã do que é de Mário Soares”, afirmou Luís Montenegro.

O ex-líder parlamentar do PSD considerou que o antigo coordenador do Bloco, Francisco Louçã, “doutrinou grande parte dos dirigentes socialistas, em especial os jovens turcos que por lá andam e mandam”, dizendo que agora até tenta “doutrinar o país na televisão, rádios e jornais”.

Imaginar que sejamos um apêndice destes socialistas bloquistas que mandam no PS é um suicídio político. É de uma penada oferecer a taluda a António Costa e oferecer a terminação a Assunção”, disse, referindo-se ao primeiro-ministro e à líder do CDS-PP.