A moção apresentada, esta terça-feira, pelo PSD na Assembleia Municipal de Lisboa que questiona o presidente da câmara sobre a compatibilidade desta função com a liderança do PS foi rejeitada, com votos contra do PS e outros partidos da oposição.

O documento levado à sessão pelo líder da bancada municipal do PSD, Sérgio de Azevedo, contou com os votos contra do PS, que detém a maioria naquele órgão, do PCP, do BE, do Partido Ecologista Os Verdes (PEV), do Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN) e dos deputados independentes (eleitos nas listas do PS).

O Movimento Partido da Terra (MPT), o CDS-PP e o Parque das Nações por Nós (PNPN) abstiveram-se e apenas o PSD votou a favor.

Através da moção, o PSD questiona o socialista António Costa se «entende que o executivo tem legitimidade para executar o seu programa se ele sair» do executivo, perguntando também o que mudou entre os anos de 2011 e 2013, altura em que o atual presidente do município disse ser incompatível desempenhar esta função e ser líder do PS, explicou à Lusa esta manhã o deputado municipal Sérgio de Azevedo.

Com António Costa ausente, o vice-presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, respondeu à moção referindo que «a questão não tem relevância nem oportunidade e é incluir-se na vida interna do PS e [na forma] como o partido se organiza».

Fernando Medina acrescentou que a moção foi apresentada «fora de tempo» e que não há eleições «marcadas no PS» nem eleições legislativas, classificando assim o documento como «jogo político».

«O executivo que está em funções não só tem legitimidade e obrigação de cumprir contrato com lisboetas como o fará de forma exemplar, gerindo com rigor e prudência», salientou.

Modesto Navarro, do PCP, afirmou que «o PSD está preocupado com o destino de António Costa, mas devia estar preocupado com a política para Lisboa que tem ajudado» o PS a concretizar.

«Os problemas de Lisboa resultam da destruição do serviço público», apontou.

Pelo Bloco de Esquerda, interveio o deputado Ricardo Robles, dizendo ser «estranho e contraditório que [o PSD] venha agora apelar a uma clarificação e a um impulso para que Costa abandone a presidência».

Segundo o bloquista, esta proposta é «curiosa» e reflete as «guerrilhas internas entre o PS e o PSD».

Na moção, a que a Lusa teve acesso, lê-se que Lisboa tem «desde as últimas eleições europeias um presidente a prazo», facto que «o PSD não aceita».

António Costa, que foi eleito pela primeira vez na capital nas intercalares de 2007 e foi reeleito em 2009 e 2013, anunciou no final de maio, depois das eleições europeias, que está disponível para liderar o Partido Socialista, justificando a decisão com a necessidade de garantir que das próximas legislativas resulte «uma solução de Governo forte».