Luís Filipe Menezes, ex-líder social-democrata, disse esta sexta-feira num jantar promovido pelo blogue «Porto Laranja», que o PSD necessita de um candidato às eleições europeias forte «visto já ser tarde para avançar com uma posição política diferenciada», apontando o nome do «patrão» do grupo Impresa a fundador do partido, Francisco Pinto Balsemão.

«Ou então devemos ir à sociedade civil buscar alguém que se identifique com o PSD mesmo que nem sempre tenha votado nele. Porque não o presidente da CAP? Há um milhão de agricultores em Portugal», acrescentou.

No jantar-debate, Menezes alertou para o perigo de «mexicanização do regime, com o PS como partido hegemónico e controlador de toda a sociedade fazendo acordos à esquerda e à direita para melhor governar».

Essa mexicanização é possível «porque o PSD é hoje uma manta de retalhos com uma lógica de desunião permanente e só numa perspectiva mítica é que ainda se vê como alternativa. E porque não tem uma identidade estruturada».

«Alguém sabe quais são as políticas educativa, económica ou externa do PSD?», questionou.

Luís Filipe Menezes apontou o exemplo de união que considerou ter sido dado pelo PS no seu congresso para perguntar se alguém viu Marcelo Rebelo de Sousa ou Pinto Balsemão dar a cara pelo PSD nas vésperas de uma eleição.

«Normalmente vemos é o contrário», lamentou, considerando que, contrariamente ao PS, o PSD «não é uma família». «Somos um conjunto desgarrado de grupos que de vez em quando se juntam em efemérides que o justifiquem», disse, considerando que é por isso tudo que o PSD e o CDS, que em meados da década de 1980 valiam juntos cerca de 60 por cento dos votos nacionais, surgem nas últimas sondagens a somar 33 a 35 por cento do eleitorado.

Depois de recordar a forma como foi atacado nos seus tempos de liderança e de apontar propostas suas na altura incompreendidas mas hoje aceites, Menezes questionou se o Partido não devia voltar a realizar eleições anuais para a sua liderança, «porque o esquema bienal ajuda a matar a vida interna e a manter as sedes fechadas».

Terminou dizendo que «todos sabemos quem vai ser previsivelmente o líder do Partido. Isso só não acontecerá se os militantes mantiverem uma atitude revolucionária e exigirem novas regras».