O porta-voz do PSD, Marco António Costa, acusou esta sexta-feira o PS de estar de «costas voltadas» para o interesse nacional e criticou o líder socialista, António José Seguro, por pedir eleições antecipadas.

«Durante estes três anos [de governação PSD/CDS-PP], o sentido de responsabilidade e o sentido de respeito pelo interesse nacional do PS é estar sempre de costas voltadas para o interesse nacional e para o trabalho pelo país», considerou Marco António Costa na sexta-feira, na Guarda.

O dirigente nacional do PSD, que falava na sessão de tomada de posse do novo presidente da comissão política distrital social-democrata, Carlos Peixoto, disse que existem grandes diferenças entre os dois partidos.

«A diferença é que nós [PSD] não nos posicionamos face ao interesse nacional por taticismos partidários. Nós posicionamo-nos colocando sempre em primeiro lugar o interesse do país», afirmou.

Marco António Costa lembrou que foi assim com Marcelo Rebelo de Sousa, quando líder nacional do PSD, «que deu todo o apoio ao Governo do engenheiro [António] Guterres, que não tinha maioria na Assembleia da República para garantir que o país conseguia entrar na moeda única».

O mesmo se passou com Luís Marques Mendes e José Sócrates «fazendo um pacto para a justiça, dando oportunidade ao Governo do PS de fazer uma profunda reforma no setor da justiça».

Manuela Ferreira Leite «viabilizou o Orçamento do Estado para 2010» e Pedro Passos Coelho viabilizou o Orçamento do Estado para 2011, recordou Marco António Costa.

«Temos que dizer aos portugueses que, de facto, não somos todos iguais na política, que é uma matriz que nos distingue permanentemente, é que o PS só pensa no interesse partidário e nós pensamos no interesse dos portugueses e no interesse de Portugal», afirmou.

O porta-voz do PSD também considerou de «inacreditável» o que se passou na sexta-feira à noite, com o secretário-geral do PS, António José Seguro, a reclamar eleições antecipadas em Portugal.

«Já não chegava a instabilidade que vive o PS, ainda querem ver o país também mergulhado numa crise e mergulhado em estabilidade», declarou.

Apelou ainda aos socialistas que «resolvam como entenderem os seus problemas internos, mas não os tragam para a sociedade portuguesa», considerando que o país precisa «de estabilidade e de paz social».

Quanto à decisão do Tribunal Constitucional (TC), que chumbou três dos quatro artigos em análise do Orçamento do Estado para 2014, incluindo os cortes dos salários dos funcionários públicos acima dos 675 euros, Marco António Costa disse aos jornalistas que o PSD convocará «oportunamente» uma conferência de imprensa para tomar uma posição pública e formal sobre a matéria.

No entanto, admitiu que «tudo o que são contratempos para o país preocupam sempre os responsáveis».