Afinal, o PSD conseguiu mesmo a maioria absoluta na Madeira, segundo a nova recontagem dos votos feita na noite desta terça-feira.

A assembleia de apuramento detetou um erro informático ao início da noite, depois de afixar o edital que retirava a maioria absoluta ao PSD, porque não tinha sido considerada a votação do Porto Santo.

No edital referia-se que o PSD passou de 56.690 para 56.574 votos e a CDU descia de 7.082 para 7.060. No entanto, não contando os votos do Porto Santo, a distribuição de mandatos estava mal feita.

Começou depois uma nova contagem que veio confirmar, com os mesmos votos, a maioria absoluta do PSD.

Ao final da tarde, o edital anunciava que a CDU teria conseguido eleger um terceiro deputado, retirando o 24ª mandato aos sociais-democratas e com a consequente perda da maioria absoluta.

O mandatário da candidatura da CDU argumentou que «houve atas, por exemplo, onde o PSD tinha 48 votos e concluíram que tinha 148».

No entender de Leonel Nunes, «há coisas muito estranhas nestes resultados», sustentando que «é necessário, para que a verdade vença, que se faça uma recontagem total». «Não tenho dúvidas que chapeladas há muitas e muitas», concluiu, garantindo que a CDU não vai ficar de «braços cruzados» e admitindo recorrer ao Tribunal Constitucional.

O delegado da Comissão Nacional de Eleições (CNE), João Almeida, considerou «um erro lamentável» o engano verificado no programa informático que ditou a perda da maioria absoluta ao PSD e a eleição de mais um deputado à CDU.
 

«É verdade, é um erro lamentável que se deve à estrutura particular da nomenclatura das unidades territoriais das regiões autónomas do conceito ilha que não existe no resto do território nacional, mas isso não quer dizer que não seja, na mesma, indesculpável».


João Almeida explicou que «os resultados apurados, em termos de votos, estão certos, o programa devia ter operado sobre esse total e, em vez disso, operou sobre o total da ilha da Madeira ignorando a ilha do Porto Santo».
 

«Feita a distribuição correta, apura-se que o quociente dos votos obtidos pelo PSD a dividir pelos 24 deputados, o vigésimo quarto é superior ao quociente dos resultados da CDU a dividir por três, portanto, caberia ao PSD o vigésimo quarto e a CDU com dois».


O PSD Madeira acabou, assim, por recuperar a maioria absoluta após a verificação de votos pela assembleia de apuramento geral dos resultados das eleições legislativas da Madeira de domingo.

Na segunda recontagem, o PSD venceu com maioria absoluta (44,3%) as eleições regionais antecipadas na Madeira de domingo.

O secretário-geral do PSD/Madeira, Rui Abreu, disse aos jornalistas que o partido encarou o problema da recontagem com «serenidade», pois sempre confiou ter obtido a maioria absoluta, e, garantiu, não vai pedir apuramento de qualquer responsabilidade.

«[Encarei] com a mesma serenidade com que vi quando o primeiro edital saiu», declarou aos jornalistas no Palácio de São Lourenço, a residência oficial do Representante da República onde decorreu a assembleia de apuramento geral dos votos das eleições regionais do passado domingo.