Passos Coelho deseja que a transição para a nova liderança do PSD se possa fazer “com naturalidade”. Rui Rio concorda, mas entende que há “alguma turbulência”. 

Depois de uma reunião que durou mais de hora e meia na sede nacional do PSD, em Lisboa, ambos fizeram, no final, breves declarações aos jornalistas no pátio. Lado a lado, escusaram-se a detalhar os temas discutidos no encontro.

Questionado se tem sentido unidade, desde que foi eleito no sábado com 54,1% dos votos, Rui Rio respondeu:

Alguma turbulência mas a gente vai resolver essa pequena turbulência, não sei se a turbulência é real ou é mais na comunicação social”.

Os jornalistas ainda insistiram em perceber a que turbulência Rio se referia, mas não quis acrescentar mais nada.

Disse apenas que “a primeira conversa que se impunha numa transição suave era justamente com o líder do partido”, que exerce essas funções até ao Congresso do PSD, que se realiza entre 16 e 18 de fevereiro em Lisboa.

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"Sem hipocrisia" com líder parlamentar

Sobre a liderança parlamentar, Rui Rio afirmou que a conversa com Hugo Soares - que apoiou Santana Lopes - ainda não está marcada e escusou-se a qualificar esta matéria como o seu primeiro desafio no partido.

É uma das muitas questões que têm de ser resolvidas. Se ainda não falei [com o líder parlamentar], como é que pode estar resolvida? Vai ser resolvido com serenidade, com frontalidade, sem hipocrisia mas com sinceridade de parte a parte”.

Rui Rio garantiu que ainda não começou a fazer convites para os órgãos nacionais do partido e afastou especulações sobre esse tema. “Nem eu sou fonte próxima de mim próprio porque ainda não comecei a pensar”.

Questionado se ainda conhecia “os cantos à casa”, de quando foi secretário-geral do PSD entre 1996 e 1997, Rio respondeu afirmativamente. “A casa é igual, tem mobiliário diferente, mas conheço a casa e as pessoas”.

"Bem-vindo"

Antes, Passos Coelho afirmou que teve oportunidade de “reconfirmar os parabéns” que já tinha dirigido ao líder eleito. “Sendo certo que só a partir do congresso entra em funções, na verdade não podemos ignorar que já foi eleito e que há matérias que carecem de alguma articulação (…) Entendo que é meu dever, havendo um líder eleito, ouvi-lo em alguns aspetos que considero mais relevantes”.

O ainda presidente do PSD assegurou que a conversa entre os dois “correu muitíssimo bem” e disse ter a certeza de que a transição de líderes no partido “se fará com muita naturalidade, com muita responsabilidade”.

O doutor Rui Rio a partir do congresso terá oportunidade como líder do PSD de encetar um ciclo novo na vida do partido (…) Só quero desejar-lhe as maiores felicidades porque tudo o que correr bem à frente do PSD, correrá bem ao país e aos portugueses”.

Questionado sobre a continuidade ou não da atual liderança parlamentar, Passos Coelho escusou-se a responder. “Não vou entrar em nenhum detalhe sobre matérias que, ou não me dizem respeito ou vêm fora de tempo, terão desenvolvimentos ulteriores”.

Rio chegou à sede do PSD pelas 14:55, cinco minutos antes da hora marcada pelo encontro, e foi recebido por Passos Coelho à entrada do edifício. “Bem-vindo”, desejou Passos.

Depois de prestarem breves declarações aos jornalistas, Passos Coelho deixou a sede do partido para ir à Assembleia da República, enquanto Rui Rio voltou a entrar no edifício, acompanhado do deputado Feliciano Barreiras Duarte – antigo chefe de gabinete do ainda presidente do PSD – e da assessora de imprensa.