O PSD defendeu esta quarta-feira que a Grécia propôs fazer «o que Portugal já fez nos últimos anos», argumentando ainda que o caso grego tem a «virtualidade de valorizar o exemplo notável de Portugal e dos portugueses».

Na resposta, o PS acusou o PSD de se orgulhar de um Governo que a imprensa internacional descreveu como um «talibã da austeridade», o Bloco de Esquerda disse que a Grécia faz o que Portugal nunca fez, «entrar de cabeça erguida nas reuniões do Eurogrupo», e o PCP pediu ao PSD que se concentre na resolução dos problemas dos portugueses.

Referindo-se ao plano de reformas apresentado pelo governo grego ao Eurogrupo, a deputada do PSD Clara Marques Mendes afirmou que «a Grécia propõe-se fazer hoje o que Portugal já fez nos últimos anos».

«Só não vê quem não quer ver! Mas o caso da Grécia tem uma outra virtualidade. A virtualidade de reforçar e valorizar o exemplo notável de Portugal e dos portugueses. Com todo o respeito que a Grécia nos merece, a verdade é que Portugal não é a Grécia, somos um caso radicalmente diferente», defendeu a deputada.

Clara Marques Mendes afirmou que Portugal pediu um resgate depois da Grécia e já cumpriu o programa, teve uma «saída limpa», sem segundo resgate nem programa cautelar, ao passo que «a Grécia já vai no segundo resgate e ninguém sabe o que o futuro lhe reserva» e «os gregos veem hoje os juros da dívida a subir de forma excecional».

A deputada acrescentou que «a Grécia passou estes anos envolvida em convulsões sociais graves», enquanto em «Portugal o ajustamento realizou-se num clima de paz social, valorizando sempre a concertação», argumentando que o país está já «em recuperação e o investimento cresce», com o desemprego a ser «paulatinamente reduzido», há recuperação de rendimentos e reposição de pensões.

O deputado do PS Eduardo Cabrita reagiu acusando o Governo de ter participado na negociação do Eurogrupo de uma forma que provocou a «humilhação de Portugal», com uma ministra das Finanças que, «no pico da crise, foi exibida como uma mascote», e o executivo, apontado na imprensa estrangeira «como um verdadeiro talibã da austeridade, que tentou pôr em causa uma resposta de compromisso».

Pelo PCP, a deputada Carla Cruz pediu ao PSD concentração no que fazer com os prolemas de Portugal, «criados pela política do Governo», ressalvando que apesar de haver «convergências na resolução dos problemas» gregos com os dos portugueses, «os gregos escolherão o seu caminho, o modo de resolver os seus próprios problemas».

A deputada do BE Helena Pinto argumentou que o discurso do PSD está em contradição com os números do desemprego, dos doentes do serviço nacional de saúde à espera nas urgências, nas pessoas que perdem rendimentos e apoios sociais e argumentou que «a Grécia esta a fazer aquilo que Portugal nunca fez», começando por entrar «nas reuniões do Eurogrupo de cabeça levantada».

A deputada de «Os Verdes» Heloísa Apolónia manifestou, por seu turno, «absoluta vergonha que Portugal seja levantado como troféu para mostrar que a austeridade é o melhor dos mundos», repudiando que Portugal se tenha prestado "a esse papel de ‘empata' das negociações da Grécia».