PS, PCP, BE e PEV não compareceram na reunião do grupo de trabalho proposto pelo presidente da Assembleia da República para discutir uma eventual evocação parlamentar do 25 de Novembro de 1975, proposta pelo PSD e CDS-PP.

CDS-PP e PSD fizeram esta quinta-feira uma interpelação à mesa no início do plenário da Assembleia da República, vincando o seu protesto pela ausência de representantes dos partidos na reunião do grupo de trabalho, presidido pelo socialista Jorge Lacão (que esteve presente), no que consideraram ser um desrespeito por uma decisão do presidente do parlamento, Eduardo Ferro Rodrigues.

Ferro Rodrigues disse ter sido informado hoje de manhã de que os grupos parlamentares de PS, PCP, BE e PEV não se fariam representar na reunião, lamentando que não tivessem manifestado essa posição quando, na quarta-feira, em conferência de líderes foi acordada a criação do grupo de trabalho.

A criação do grupo de trabalho surgiu na sequência de uma carta enviada pelo líder parlamentar social-democrata, Luís Montenegro, e centrista, Nuno Magalhães, pela realização na Assembleia da República uma evocação dos 40 anos do 25 de Novembro de 1975, que marcou o final do Processo Revolucionário em Curso (PREC).

Para o líder da bancada centrista, Nuno Magalhães, a situação "envergonha a Assembleia da República" na pessoa do seu presidente.

"Se não reagirmos a tempo podemos estar perante um PREC", afirmou o líder parlamentar do CDS-PP.

Pelo PSD, Sérgio Azevedo disse nunca pensar que o PS, "um partido central na história do 25 de Novembro esteja acorrentado ideologicamente pelo PCP, pelo BE, e essa situação não só envergonha a democracia como envergonha os fundadores do PS".

O líder parlamentar socialista, Carlos César, argumentou que o PS não será "cúmplice de exercícios lúdicos, gratuitos, inúteis e quase infantis sobre acontecimentos de relevância nacional", acusando PSD e CDS de não pretenderem efetivamente essa comemoração, que não tem precedentes, mas de visarem a "jogatana política".

César disse ainda que "o 25 de Novembro foi bem mais civilizado" do que as "reações absurdas" dos deputados de PSD e CDS, suscitando um protesto do líder parlamentar social-democrata, Luís Montenegro, que defendeu a figura do aparte parlamentar.

Ferro Rodrigues acabou por pedir a Jorge Lacão que entregasse na sexta-feira um relatório escrito sobre o grupo de trabalho.

Antes deste ponto prévio à ordem de trabalhos ser encerrado, a deputada do PSD Paula Teixeira da Cruz pediu a palavra para exigir a Ferro Rodrigues "igualdade de tratamento" na condução dos trabalhos.

O presidente da Assembleia respondeu que é o que tem feito deste que foi eleito e Paula Teixeira da Cruz ainda disse: "Não parece, não parece".