O deputado do PSD Carlos Gonçalves desafia a oposição a apresentar propostas dirigidas aos emigrantes portugueses, numa declaração política em que falou de passagem dos incentivos ao seu regresso recentemente anunciados pelo Governo.

«Seria bom que aqueles que agora despertaram para a questão da emigração nesta câmara apresentassem verdadeiras propostas políticas dirigidas a esses portugueses ao invés de se refugiarem sempre na crítica, na opinião, no comentário e, por vezes, com uma adjetivação que apenas demonstra a falta de ideias concretas», afirmou Carlos Gonçalves, deputado eleito pelo círculo da Europa.

Em seguida, a oposição assinalou o facto de o social-democrata não ter destacado nem detalhado as medidas de incentivo ao regresso de emigrantes a Portugal anunciadas pelo secretário de Estado Pedro Lomba na semana passada, no quadro do Plano Estratégico para as Migrações 2015-2020, e interrogou-o sobre o seu conteúdo. Carlos Gonçalves respondeu que esse não era o tema da sua intervenção: «Eu fiz uma declaração política sobre as comunidades portuguesas».

Sobre os números da emigração, na sua intervenção, o deputado do PSD sustentou que «desde o início do século os valores relativos às saídas dos portugueses para o estrangeiro foram sempre significativos, atingindo em 2007 valores próximos dos atuais» e referiu que «segundo o Observatório da Emigração, saíram de Portugal, entre 2007 e 2012, uma média de 80 mil portugueses por ano».

Carlos Gonçalves defendeu que a emigração neste período se deveu à situação económica do país, e alegou que agora Portugal «é um país diferente» e está «num caminho de crescimento», citando para este efeito o presidente francês François Hollande.

Numa alusão às palavras do secretário-geral do PS, António Costa, sobre a evolução do país, o social-democrata observou que François Hollande é «mais um socialista que sente que Portugal está diferente».

Neste contexto, acrescentou: «Assim, as recentes medidas do Governo de apoio ao regresso dos nossos emigrantes respondem a esta nova realidade. Uma diáspora empreendedora e qualificada como a nossa merece que o seu país lhe proporcione condições para potenciar o seu regresso e o seu investimento. O Governo dá, assim, um sinal claro de que conta com as comunidades portuguesas para o futuro de Portugal».

Carlos Gonçalves não especificou essas medidas, nem voltou ao assunto, mas salientou outras políticas dirigidas às comunidades portuguesas como a «valorização do ensino do português no estrangeiro» ou a «colaboração que foi estabelecida, na área económica, com as diversas câmaras de comércio portuguesas no estrangeiro».