Deputados do PS, PSD, CDS, PCP e Bloco de Esquerda apelaram esta sexta-feira ao governo que seja dado ao aeroporto de Lisboa o nome do General Humberto Delgado, sublinhando o «papel ímpar» daquele militar na história da aviação em Portugal.

«No momento que em que passam 50 anos sobre o seu assassinato pela polícia política de Salazar, em homenagem ao 'General sem Medo' e evocando o seu papel na história da aviação em Portugal, apelamos ao governo para que seja dado ao aeroporto de Lisboa o nome de aeroporto General Humberto Delgado», refere o documento assinado por 12 deputados.

Ferro Rodrigues, Mota Amaral, Guilherme Silva, Couto dos Santos, Alberto Costa, José Ribeiro e Castro, António Filipe, Luís Fazenda, Pedro Filipe Soares, Idália Serrão, Miguel Tiago e Ana Paula Vitorino são os deputados que subscrevem o apelo.

O documento lembra que enquanto diretor, primeiro e único, do Secretariado da Aeronáutica Civil, Humberto Delgado foi o homem que «recuperou o tempo perdido», tendo fundado a TAP há precisamente 70 anos e modernizando e expandindo os aeroportos nacionais.

«Firmou os acordos de liberdade aérea do pós-Guerra, estabeleceu a primeira ligação comercial entre Lisboa, Luanda e Lourenço Marques (atual Maputo), conquistou para Portugal o controlo do tráfego aéreo do Atlântico Norte, colocou os Açores à escala do mundo através do aeroporto de Santa Maria, depois de na 2.ª Guerra ter sido protagonista da cedência da Base das Lajes aos Aliados», lê-se no manifesto.

Os subscritores do documento recordam ainda Humberto Delgado - 'o General sem Medo' - como o «Homem do ar, da liberdade dos céus» e também quem, já na década de 50, adaptou as infraestruturas aeroportuárias portuguesas aos aviões a jato.

Nascido em Torres Novas, a 15 de Maio de 1906, Humberto Delgado liderou o principal movimento de tentativa de derrube do regime salazarista através de eleições, tendo sido derrotado num processo eleitoral considerado fraudulento que deu a vitória ao candidato do regime, o almirante Américo Tomás.

Humberto Delgado e a sua secretária viriam a ser assassinados por agentes da polícia política do regime (PIDE) em Villanueva del Fresno, Espanha, a 13 de Fevereiro de 1965.