O PSD acusou o ministro das Finanças de ter feito "uma espécie de conferência de imprensa" sobre a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), sem nenhum esclarecimento, reforçando assim a necessidade de um inquérito parlamentar.

Em declarações aos jornalistas, no Parlamento, o deputado e vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD António Leitão Amaro disse que Mário Centeno "tornou ainda mais indispensável a realização de uma comissão parlamentar de inquérito à CGD".

O social-democrata referiu que, nos termos da lei, o inquérito parlamentar à CGD da iniciativa do PSD deve iniciar os seus trabalhos 8 dias depois da sua formalização, que aconteceu na segunda-feira. "Esperamos que a primeira reunião possa ocorrer já na próxima semana", acrescentou.

Questionado sobre as audições do ministro das Finanças e do governador do Banco de Portugal propostas pelo CDS-PP e pelo PS, respetivamente, António Leitão Amaro concordou com essas audições, mas defendeu que "a comissão parlamentar de inquérito é o lugar certo".

"Esperamos que possa ser um dos atos iniciais desta comissão parlamentar de inquérito", adiantou.

O ex-secretário de Estado da Administração Local alegou que "são sete a oito milhões, segundo as notícias públicas, que os contribuintes em seis meses em seis meses são chamados a pagar por este Governo".

Em relação à recapitalização da CGD, disse que "a cada semana que passa esse alegado montante sobe, a incerteza cresce".

"É estranho que o Governo tenha feito hoje esta espécie de conferência de imprensa, que nada informa, nada esclarece, só contribui para agravar a dúvida, a incerteza e a desconfiança", considerou.

Segundo o deputado PSD, é preciso, portanto, um inquérito parlamentar para "esclarecer cabalmente quais são os planos e as medidas para a recapitalização do banco, a injeção de dinheiro dos contribuintes, as medidas de reestruturação".

Questionado sobre a auditoria externa e independente proposta hoje por PSD e CDS-PP à CGD, Leitão Amaro sustentou que esse instrumento e o inquérito parlamentar "são complementares, e ambos são necessários".

O social-democrata reclamou que o PSD está a ser coerente, enquanto a esquerda parlamentar parece ter mudado de opinião nesta matéria: "A propósito do Banif, queriam inquérito, não queriam auditoria. Agora, a propósito da CGD, não querem inquérito, sabe-se lá porquê, com medo de que esclarecimento, de que informação, mas querem auditoria".