O cenário macroeconómico do PS esteve esta quarta-feira no centro do debate parlamentar, com a maioria PSD/CDS a atacar as previsões nele apresentadas e com o PCP e Bloco de Esquerda a criticarem a "flexibilização" da legislação laboral.

No período de declarações políticas, num discurso em plenário, o vice-presidente da bancada socialista Vieira da Silva falou sobre as "dramáticas" previsões constantes do mais recente relatório aprovado pelo Ecofin, segundo as quais Portugal, "se nada mudar, terá uma pesada retração da sua população global e da sua população em idade ativa".

"Em 20 anos, perderemos 700 mil habitantes e, no final da projeção, seremos 8,2 milhões de pessoas vivendo em Portugal", declarou, sustentando que estes indicadores são direta consequência dos anos de profunda recessão económica atravessados pelo país.

"De uma vez por todas, parece claro que caiu por terra a verdade sacrossanta dos propagandistas de várias causas: Não é o sistema de pensões que ameaça o desempenho económico é a fragilidade da economia que debilita a qualidade da proteção dos mais idosos", advogou.


No período de perguntas, no entanto, Vieira da Silva foi contestado não pelo que afirmara momentos antes sobre a crise demográfica, mas pelo teor do cenário macroeconómico que subscreveu enquanto membro da equipa coordenada por Mário Centeno.

A deputada do CDS Cecília Meireles questionou o ex-ministro socialista como paga o PS as pensões se reduzir quatro pontos percentuais a taxa social única (TSU) a empregadores e trabalhadores.

"Cada semana que passa, cada promessa do PS. Agora o PS fala nas 35 horas na função pública e no coeficiente familiar", apontou Cecília Meireles, recebendo uma resposta dura de Vieira da Silva.

"A senhora deputada do CDS anda desatenta, porque essas medidas estão no documento. Assim é difícil discutir com alguma profundidade", exclamou o ex-ministro socialista.


Duro foi também o debate travado entre os deputados Nilza Sena (PSD) e João Galamba (PS), com a social-democrata a considerar que o cenário macroeconómico do PS "é a prova da impreparação dos socialistas".

"Os portugueses não querem mais as promessas do PS, que lhes acena com os bolsos cheios e diz que devolve o melhor dos mundos, mas só restitui o caminho das pedras experimentado, conhecido e amargo nas concretizações", declarou.

O membro do Secretariado Nacional do PS respondeu a Nilza Sena no mesmo tom e no mesmo estilo: "Resgatar alguma verdade à sua intervenção é uma tarefa extremamente difícil. O nosso quadro macroeconómico foi bem recebido por parceiros sociais e por ex-presidentes do PSD ", disse.

Pela parte do PCP, Rita Rato frisou que o PS esteve contra a universalização do abono de família e continua a defender a condição de recursos para acesso a prestações sociais.

"O PS está do lado da alternativa ou da alternância?", questionou a deputada comunista, dúvida também colocada pelo líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, que contestou medidas do cenário macroeconómico como "a flexibilização da lei laboral" e a redução da TSU dos empregadores em quatro pontos percentuais.

"Não somos fanáticos da questão dos custos do trabalho, mas será que o senhor deputado não reconhece a importância de aliviar às pequenas e médias empresas alguns custos com a contribuição dos seus trabalhadores?", contrapôs o ex-ministro socialista.


Além de responder às críticas ao cenário macroeconómico socialista, Vieira da Silva atacou também as previsões constantes no Programa de Estabilidade do Governo, sobretudo a previsão de um desemprego na ordem dos 11 por cento em 2019.

"Aceitar esses 11 por cento significa desistir de um futuro diferente daquele que para nós é projetado. Significa que os jovens que estão a terminar os seus estudos continuarão a encarar a emigração como destino mais provável. Significa resignarmo-nos às fraturas sociais que minam a nossa coesão, resignarmo-nos ao empobrecimento e à estagnação", afirmou.