O PSD afirmou esta sexta-feira que os subscritores da carta aberta ao primeiro-ministro são «adversários políticos do Governo» e que Portugal estaria numa posição mais difícil, próxima da Grécia, se tivesse seguido as suas recomendações.

Em declarações aos jornalistas no parlamento, o líder da bancada social-democrata, Luís Montenegro, considerou que os subscritores da missiva querem apenas «expressar a sua divergência» com o executivo, «à boleia da negociação existente entre a Grécia e a União Europeia».

«Creio que devemos falar claro, a grande maioria dos subscritores daquela carta têm sido adversários do Governo e do caminho que Portugal tem trilhado, são personalidades que no período que percorremos nos últimos quatro anos defenderam a realização de eleições antecipadas, criando problemas de estabilidade política, foram personalidades que defenderam que o caminho levaria a uma espiral recessiva da economia, dados que foram desmentidos, foram personalidades que anteviram a quebra da capacidade da economia gerar emprego, a realidade confirmou precisamente o contrário», declarou.


Neste contexto, Montenegro defendeu que os subscritores devem esclarecer se querem «aproximar a situação portuguesa da situação grega».

«A questão que se coloca é saber se, aos olhos do que é o interesse dos portugueses, o caminho que percorremos valeu ou não valeu a pena, e eu creio que esta disparidade entre a situação da Grécia e de Portugal aponta para que o caminho que Portugal seguiu foi o mais vantajoso para levar bem-estar e a recuperação à vida das pessoas», advogou.


«É ou não verdade que hoje, fruto das condições de equilíbrio orçamental, nós temos a economia a crescer? É ou não verdade que temos a nossa economia com uma capacidade ao nível das exportações como nunca tivemos na nossa História? É ou não verdade que outros setores como o turismo estão a ter um desempenho como nunca tiveram na História? É ou não verdade que a taxa de desemprego está a baixar? É ou não verdade que estamos a recolher os benefícios de nos termos mantido firmes?», interrogou.

O líder parlamentar do PSD sublinhou ainda que «Portugal foi até o país que do ponto de vista relativo mais expressou a sua solidariedade» com a Grécia e que caso haja uma evolução no quadro europeu fruto das atuais negociações, «é evidente que Portugal não deixará de ser afetado por essa evolução».