PSD e CDS-PP defenderam hoje que no debate do Programa do Governo na Assembleia da República os partidos que defendem outras soluções têm o dever de colocar em cima da mesa, para discussão, as suas alternativas.

Esta posição foi assumida pelos líderes parlamentares do PSD, Luís Montenegro, e do CDS-PP, Nuno Magalhães, eleitos na anterior legislatura, no final de uma reunião conjunta dos novos deputados das respetivas bancadas, na Assembleia da República.
 

"É nesse debate que as alternativas têm de ser colocadas também em cima da mesa".


"É obrigação dos restantes grupos parlamentares, e serão julgados normalmente pelo povo por isso, também apresentar as suas soluções. Até agora só vi rejeições", reforçou Nuno Magalhães, numa alusão à intenção anunciada por PS, PCP e BE de apresentar moções de rejeição ao Programa do Governo PSD/CDS-PP.

Perspetivando que a instabilidade política poderá acabar em novas eleições, o líder parlamentar do CDS-PP considerou:
 

"Os portugueses certamente, no momento certo - espero que mais tarde do que cedo - avaliarão quem esteve do lado de Portugal, e quem esteve do lado pessoal ou partidário"


Por sua vez, Luís Montenegro acusou o PS de querer "extremar a sua posição" e desrespeitar "a vontade do povo" e a tradição e a prática constitucional portuguesa" ao anunciar uma moção de rejeição do Programa do Governo, manifestando-se "muito apreensivo".

Contudo, não quis neste momento "discutir cenários sobre o que é que cada um pode fazer no futuro em face de moções de rejeição", defendendo que a obrigação dos deputados é "discutir um Programa do Governo".
 

"Não, nós queremos fazer o debate no parlamento, como representantes do povo, para mostrar que temos razão naquilo que são as orientações estratégicas que programática para os próximos anos em Portugal"


Segundo Luís Montenegro, "o povo atribuiu ao doutor Pedro Passos Coelho, pelo voto, a capacidade de ele ser primeiro-ministro" e "ele apresentará um Governo e apresentará ao parlamento Programa do Governo", que deve ser discutido "com toda a profundidade".

"E aqueles que, porventura, tenham, dentro do respeito democrático, opiniões diferentes, devem não só dizer qual é o caminho que preconizam, qual é o apoio político que suporta esse caminho, mas, sobretudo, quais são as consequências que advêm para o país do caminho que querem travar, por um lado, e que querem começar a percorrer, por outro", acrescentou.