logotipo tvi24

PSD e CDS acusam PS de ter suspendido reformas antecipadas em 2005

Socialistas recusam comparação, salientando que na altura não decidiram «à socapa»

Por: tvi24    |   2012-05-03 20:33

O Governo e a maioria PSD/CDS acusaram hoje os socialistas de também terem suspendido as reformas antecipadas em 2005 e de agora criticarem uma medida igual, comparação que o PS rejeitou, argumentando que na altura não decidiu «à socapa».

A troca de acusações ocorreu hoje no plenário da Assembleia da República, durante a apreciação parlamentar, pedida pelo PS e pelo PCP, do decreto do Governo que suspendeu a concessão de novas reformas antecipadas enquanto estiver em vigor o programa de assistência financeira internacional. O decreto foi aprovado em Conselho de Ministros mas a decisão não foi pública até à véspera de entrar em vigor, quando foi publicado no «Diário da República».

O ministro da Segurança Social, Pedro Mota Soares, defendeu hoje no Parlamento a decisão do Governo, argumentando que está em causa a sustentabilidade da Segurança Social e que o Estado não tinha capacidade para assumir os esforços financeiros que exigiriam o número de pedidos de reformas antecipadas, que disparou no último ano.

Mas o ministro aproveitou também a sua intervenção para criticar o PS, lembrando que em 2005 o Governo então liderado por José Sócrates suspendeu as reformas antecipadas com os mesmos argumentos, considerando então que era uma «proposta equilibrada», apesar de o país não estar numa situação de ajuda externa e ter de honrar os compromissos assumidos com os credores.

Também Artur Rêgo, do CDS-PP, denunciou a «grande amnésia do PS», que tomou a mesma medida em 2005, quando «os encargos com a dívida pública» eram menores e quando a taxa de desemprego era também inferior.

O PSD, através da deputada Clara Marques Mendes, também apontou a «falta de credibilidade do PS» nesta matéria, referindo-se à medida de 2005.

Miguel Laranjeiro, do PS, rejeitou a crítica e a comparação, dizendo que aquilo que ocorreu em 2005 foi «muito diferente», porque «foi feito com os parceiros sociais».

«Foi uma decisão às claras, os portugueses souberam o que estava em jogo», sublinhou.

O deputado socialista lamentou ainda que o ministro tenha afirmado que o Governo teve de tomar esta medida de «forma reservada» para evitar que houvesse uma «corrida» às reformas antecipadas.

Para Laranjeiro, a «democracia exige transparência» e não «governar de forma reservada», considerando que esta não é uma atitude própria de um regime europeu.

Na sua intervenção, o deputado socialista questionou ainda a justiça desta medida, que «vai obrigar» alguns portugueses, que começaram a trabalhar aos «12/13 anos», a «trabalharem 50 anos», considerando que até agora havia um regime que penalizava quem pedia uma reforma antes da idade legal, mas que pelo menos «permitia a escolha».

Laranjeiro considerou que o Governo «interrompeu as expetativas» de muitas pessoas e «rompeu o contrato de confiança» com os portugueses quando «decidiu às escondidas e à socapa».

Pelo PCP, Bernardino Soares considerou que este decreto do Governo é «especialmente gravoso» para casos de longas carreiras contributivas e considerou que «o principal obstáculo à sustentabilidade da segurança social» são as políticas do Executivo e opções como as «deixar de fora» os descontos «dos salários mais altos».

Mariana Aiveca, do Bloco de Esquerda, considerou que «a primeira questão que coloca em causa a sustentabilidade da segurança social é o desemprego», mas «para isso não há nenhuma medida do Governo».

A deputada pediu ainda a Mota Soares para esclarecer qual será «de facto a duração desta suspensão», uma questão que ficou sem resposta.

Pelos Verdes, José Luis Ferreira, criticou também a «manobra silenciosa» do Governo feita «pela calada da noite».

Partilhar
EM BAIXO: 25 de Abril: Alegre e Soares falham comemorações
25 de Abril: Alegre e Soares falham comemorações

«Documentos do FMI são verdadeiro programa de Governo»
Orçamento Retificativo foi hoje aprovado
Governo romeno anuncia compra a Portugal de 12 aviões F-16
Aeronaves vão ser adquiridas por 628 milhões de euros
Laboratório militar fabrica fármacos com redução «substancial» de preço
Garantia foi deixada pelo ministro da Saúde
EM MANCHETE
Exames antecipados
Alunos do 6º e 9º ano fazem prova de Matemática um dia mais cedo para evitar problemas na greve geral
Balcão da CGD em Lisboa evacuado após ameaça de bomba
«Esses jovenzinhos não têm formação democrática»
PUB
Cavaco promulga lei que permite pagar subsídios só em novembro

Só quem ganha até 600 euros vai receber já a totalidade do 13º mês