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PSD: palavras de Passos foram «desvirtuadas»

Sociais-democratas acusam PS e BE de criarem «casos políticos que não interessam a ninguém»

Por: Redacção  |  7- 2- 2012  18: 39

Carlos Abreu Amorim

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O PSD acusou esta terça-feira o PS e BE de só se preocuparem em criar «casos políticos que não interessam a ninguém» e de descontextualizarem e desvirtuarem as declarações do primeiro-ministro sobre a necessidade de os portugueses não serem «piegas», noticia a Lusa.

«O grupo parlamentar do PSD quer, em primeiro lugar, lamentar as palavras do líder parlamentar do Partido Socialista e do Bloco de Esquerda, que parece que no momento em que o país está a enfrentar e a tentar debelar as dificuldades que temos pela frente, se preocupam única e exclusivamente em acentuar casos menores, fait divers, retirando afirmações do senhor primeiro-ministro completamente fora do contexto e tentando criar casos que em nada ajudam a democracia portuguesa e, sobretudo, a batalha em que Portugal está envolvido para sairmos da fossa financeira em que nos encontramos», disse o deputado Carlos Abreu Amorim, em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.

O líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, disse hoje que «não é próprio de um primeiro-ministro de um país europeu chamar piegas ao seu povo», num comentário a declarações de Passos Coelho, na segunda-feira, em que pediu aos portugueses mais «exigência» e «persistência» e para «não serem piegas».

Também o líder do BE, Francisco Louçã, considerou hoje que o primeiro-ministro insultou os portugueses «que lutam contra o empobrecimento» imposto pelo Governo com estas declarações.

«Um primeiro-ministro que faz tanto mal tão depressa a tanta gente neste país não se pode permitir esta ofensa gratuita», declarou Francisco Louçã aos jornalistas à margem de uma visita ao hospital Garcia de Orta, em Almada.

Francisco Louçã assinalou que «nem no Carnaval se permite uma brincadeira destas porque não se pode esperar que ninguém leve a mal».

Pedro Passos Coelho apelou segunda-feira aos portugueses para serem «mais exigentes», «menos complacentes» e «menos piegas» porque só assim será possível ganhar credibilidade e criar condições para superar a crise.

Para o PSD, são «particularmente infelizes» as declarações de Carlos Zorrinho, que «lidera uma bancada com especiais responsabilidades na tentativa de o país sair desta gravíssima situação».

«Porque além de fazer uma interpretação completamente enviesada das declarações do primeiro-ministro», que falava «perante alunos num instituto onde alias já deu aulas», o líder parlamentar do PS retirou-as «do contexto, desvirtuou-as», o que é bastante «bastante negativo», considerou Carlos Abreu Amorim.

«O líder parlamentar do PS cita o Camões e a mim apetece-me citar Pessoa. Gostaria que o líder de uma bancada onde neste momento ninguém sabe que coisa quer, ninguém conhece que alma tem, nem o que é mau nem o que é bem, se preocupasse mais em resolver os problemas do país e em pôr ordem na sua bancada do que em tentar criar casos políticos que não interessam a ninguém, desvirtuando as declarações do senhor primeiro-ministro», acrescentou.

A propósito das declarações de Passos Coelho, Carlos Zorrinho disse que o primeiro-ministro é que não sabe motivar os portugueses, tendo citado Camões: «É preciso neste momento dizer que quem não tem demonstrado capacidade para mobilizar o seu povo tem sido o primeiro-ministro. Ocorria-me aqui citar Camões que disse que um rei fraco pode fazer fraca forte gente».

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