A direção do PSD/Açores anunciou esta sexta-feira que decidiu não fazer coligação no arquipélago com o CDS-PP e a "renovação a 100%" da lista de candidatos que apresentará nas legislativas deste ano. Com esta decisão, é a primeira vez na história que o PSD/Açores não indica o ex-presidente do Governo Regional João Bosco Mota Amaral para cabeça de lista pelos Açores numas eleições legislativas nacionais.

Mota Amaral manifestou nas últimas semanas, em diversas declarações públicas, que queria recandidatar-se a deputado na Assembleia da República encabeçando a lista do PSD do círculo dos Açores nas eleições deste ano.

Mesmo durante os anos em que presidiu ao executivo açoriano, Mota Amaral foi sempre candidato nas eleições à Assembleia da República, mas suspendia o mandato de deputado, depois de eleito.

Em declarações à Lusa, o ex-presidente da Assembleia da República não quis comentar a decisão, sublinhando que o que tinha para afirmar "já foi dito".

Mota Amaral afirmou, no entanto, estar "muito sensibilizado" com "a quantidade de pessoas" que nas últimas semanas lhe manifestaram o seu apoio.

A comissão política do PSD/Açores aprovou a lista de candidatos às legislativas nacionais deste ano, que é encabeçada pela secretária de Estado da Defesa Nacional, Berta Cabral.

O líder do CDS-PP/Açores, Artur Lima, já reagiu à decisão, afirmando que o partido tinha um pré-acordo de coligação com o PSD/Açores para as legislativas e que descobriu pela comunicação social que os social-democratas iam avançar sozinhos.

"Lamento que tenha sabido que não havia acordo pela comunicação social."


Segundo afirmou, há cerca de 15 dias, o CDS-PP e o PSD nos Açores fizeram um pré-acordo de coligação para as eleições legislativas nacionais, mas na passada quarta-feira um jornal local noticiou que os partidos concorriam separados e só depois os centristas foram informados da decisão do PSD.

"Lamento que o desrespeito institucional tenha sido levado a este ponto."


Artur Lima considerou que esta decisão do PSD açoriano vai contribuir para uma vitória do PS nos Açores, acusando os social-democratas na região de colocarem "acima de tudo e de todos" as quezílias internas e a luta pelo poder.

"Romper o pré-acordo diminuiu drasticamente as hipóteses de vitória e essa responsabilidade deve ser assacada diretamente ao PSD."


A Comissão Política Regional do CDS-PP/Açores reuniu-se esta sexta-feira, em Angra do Heroísmo, à mesma hora que a Comissão Política do PSD/Açores se reunia em Ponta Delgada e os dois partidos agendaram conferências de imprensa para a mesma hora.

Na conferência de imprensa em Angra do Heroísmo, Nuno Melo Alves, vice-presidente do CDS-PP/Açores, disse que o partido não rompeu conversações com o PSD com vista a uma coligação no arquipélago, lamentando que os social-democratas tivessem "voltado atrás". Questionado sobre se havia um acordo anterior, remeteu esclarecimentos para os dirigentes do PSD/Açores.

Em Ponta Delgada, o presidente do PSD/Açores, Duarte Freitas, fez uma declaração aos jornalistas sem responder a perguntas. Em relação a esta questão, disse apenas que a Comissão Política Regional do PSD/Açores "decidiu, por voto secreto e por unanimidade, propor ao Conselho Regional que o PSD/Açores se apresente com listas próprias nas próximas eleições legislativas nacionais".

Atualmente, há na Assembleia da República três deputados do PSD eleitos pelos Açores: Mota Amaral, Lúcia Bulcão e Joaquim Ponte.

Com a "renovação a 100%" da lista social-democrata açoriana, nenhum dos três será este ano candidato pelo círculo dos Açores.