«Os Verdes» saudaram esta quarta-feira a «simpatia» da direção do PS liderada por António Costa por tratar todos os partidos por igual, mas criticam os socialistas por pretenderam apenas gerir a dívida e agradar a «gregos e ‘troikanos’».

Manuela Cunha, membro da Comissão Executiva do Partido Ecologista «Os Verdes», falava no final de uma reunião com o PS, que durou cerca de hora e meia, naquele que foi o primeiro encontro formal que há registo entre direções do PS e de «Os Verdes».

No final da reunião, o secretário-geral do PS não falou aos jornalistas, enquanto Manuela Cunha saudou a «simpatia» da direção dos socialistas.

«Saudamos o espírito democrático e a simpatia que parece que esta nova direção do PS pretende transmitir. Acolhemos de bom grado o facto de o PS afirmar que todos os partidos têm a mesma legitimidade. Esperamos que não mude o seu discurso», declarou a dirigente de «os Verdes».

Apesar do gesto de simpatia da nova liderança do PS, «Os Verdes» demarcaram-se das posições políticas assumidas pelos socialistas ao longo da reunião.

«Parece-nos que o PS continua numa base de agradar a ‘gregos e troikanos', de agradar a todos, o que não levará o país a lado algum. O país precisa de posições firmes para sair desta crise estrutural», contrapôs Manuela Cunha, avançando, depois, com um exemplo concreto sobre o significado de uma expressão usada pelos socialistas durante reunião.

«O PS acaba de utilizar a palavra ‘gerir' em relação à dívida. Ora, para nós, não há gestão possível da dívida, porque é fundamental para Portugal a sua renegociação. A palavra renegociação continua ausente do discurso do PS», disse.

Manuela Cunha afirmou depois que concorda com algumas intenções assumidas por António Costa no sentido de repor o valor das pensões, ou de aumentar o salário mínimo nacional.

«Mas a grande questão é como fazer isso sem a renegociação da dívida e sem um confronto claro face a certos interesses instalados. Parece-nos que o PS não está ainda disponível para esse confronto, pondo em causa esses interesses. O PS está mais interessado em gerir uma maioria absoluta na próxima legislatura», acrescentou.