A maioria chumbou esta quarta-feira o requerimento do PS para audição do secretário de Estado dos Transportes sobre a transferência do financiamento do consórcio ELOS para o TGV, que ganhou o concurso para o troço Poceirão/Caia, para o Estado.

«Foi conhecido que o senhor secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações [Sérgio Monteiro] participou ativamente na transferência de prejuízos de uma sociedade privada para o Estado, em causa própria, dado que no passado foi administrador dessa sociedade, tendo nessa qualidade participado nos atos que vieram a gerar os prejuízos para a entidade privada e agora foram transferidos para o Estado», lê-se no requerimento do PS que foi chumbado na comissão de Economia e Obras Públicas.

O deputado do PSD, Luís Leite Ramos, explicou à Lusa que a maioria entendeu que «tudo aquilo que o PS invoca foi apurado na comissão de inquérito aos ‘swap [instrumentos de cobertura de risco] ’», considerando que a oposição está a pegar no tema para «desviar as atenções».

Na passada quinta-feira, o PS admitiu a demissão do secretário de Estado dos Transportes pela transferência de um swap para o Estado, em nome da «coerência» com outras demissões neste Governo.

Enquanto estava no Caixa BI, o governante participou nos instrumentos financeiros do consórcio para a construção do primeiro troço da alta velocidade, que foram transferidos para a estatal Parpública – produtos que têm, neste momento, perdas potenciais para o Estado de cerca de 152 milhões de euros.

«Sérgio Monteiro terá que vir ao parlamento dar todas as explicações de uma atitude que nos parece promiscuidade entre o privado e o público, falta de transparência, que tem que ser explicada», exigiu então a vice-presidente da bancada parlamentar do PS Ana Catarina Mendes.