A presença ou ausência de Manuel Alegre é um dos maiores motivos de atenção no XVI Congresso Nacional do PS, que se está a realizar em Espinho. O deputado histórico do PS, que nos últimos tempos se tem colocado muitas vezes contra o próprio secretário-geral, não entrou no pavilhão, mas são muitos os delegados que o esperam.

«Espero que ele venha, é uma figura histórica do partido e, como tal, a sua presença significaria sempre a liberdade e a história do PS. Se ele não vier, não sei se estará a marcar uma posição contra o partido, mas sim contra as políticas do partido», disse Silvano Moura, delegado por Resende, ao tvi24.iol.pt.

«Até concordo com algumas das posições de Manuel Alegre, mas o partido tem tomado medidas que era preciso tomar nesta altura muito difícil, medidas que nem a todos agradam, mas que são essenciais», acrescentou.

Siga o congresso AO MINUTO

Adozinda Pereira, delegada por Cinfães, é de opinião contrária, mas também espera por Manuel Alegre: «Acho que seria bom que ele viesse. Estou à espera até que ele peça para intervir, quero ouvir o que ele tem para dizer, ainda que não concorde com as suas posições.»

«Estou à espera que Manuel Alegre venha, como qualquer militante ou delegado ao congresso. Ele é importante, como todos os camaradas são na hora da festa do PS. Se ele quer marcar uma posição contra? Não me parece. A presença aqui também depende da vida de cada um. Pode não vir por qualquer motivo», afirmou Maria José Barata, delegada por Castelo Branco.

Sem se manifestar contra ou a favor das opiniões de Manuel Alegre, a delegada de Castelo Branco também quer ouvir o ex-candidato à presidência da República: «Estamos num partido plural e democrático, qualquer um pode manifestar a sua opinião, não estamos num partido de extrema-esquerda onde se condiciona a opinião das pessoas.»

Hugo Chávez é «bem-vindo»

O presidente venezuelano foi um dos muitos convidados internacionais para estar presente neste congresso. Hugo Chávez disse que não vinha, mas, ainda assim, muitos estão à sua espera.

«A sua presença seria muito importante para o nosso país. Não tenho medo da imagem que possa passar. O PS já é um partido à esquerda, não precisa de Hugo Chávez para isso», garantiu Adozinda Pereira.

Maria José Barata acrescentou que o convite a Chávez «faz sentido»: «O PS é de esquerda. Sendo ele de esquerda, é bem-vindo aqui.»

Já Silvano Moura é mais comedido na eventual recepção ao polémico presidente da Venezuela, conhecido amigo pessoal de José Sócrates. «Se Hugo Chávez vier não quer dizer que o partido concorda com todas as suas medidas. Não me repugna nada que venha e participe, porque é uma figura internacional e ainda por cima temos lá muitos portugueses e temos de ter ligações com a Venezuela», disse.

«O PS é um partido aberto. O convite a Chávez foi uma forma de demonstrar que o PS também é um partido de esquerda, aberto a todas as posições», acrescentou o delegado por Resende.