O secretário-geral do PS fez insistentes apelos, esta terça-feira, para a «prudência» do Governo face à conjuntura financeira de Portugal, frisando que a decisão a tomar «na altura própria» tem de basear-se na realidade do país.

António José Seguro falava aos jornalistas na sede nacional do PS, depois de Portugal ter obtido uma taxa de juro de 5,112% por três mil milhões de euros de dívida a 10 anos - taxa que levou o líder socialista a classificá-la como «insuportável» para as contas públicas nacionais.

«É necessário olhar com muita prudência e com realismo para a situação do país. Em função dessa realidade do país, [é importante] tomar uma decisão na altura própria», advertiu o secretário-geral do PS.

Durante a conferência de imprensa, os jornalistas fizeram várias perguntas ao secretário-geral do PS sobre o cenário de o país precisar de um programa cautelar a partir de junho próximo.

«O PS só se pronuncia sobre realidades e factos concretos. Se esse cenário se colocar, o PS na altura própria tomará posição. Não anteciparemos cenários. Esta é uma matéria da maior importância para a vida dos portugueses», alegou António José Seguro.

Neste contexto, o líder do PS argumentou que qualquer programa exigirá «condicionalidades» e, como tal, o país desconhece ainda o que terá pela frente se esse cenário se concretizar.

«Por isso, prudência, muita prudência, ao mesmo tempo que expresso a minha preocupação por uma taxa de 5,1%», disse, agora numa alusão à taxa de juro paga pela emissão de hoje de dívida a dez anos.

Interrogado se o PS exige eleições legislativas antecipadas caso Portugal recorra a partir de junho a um programa cautelar, o líder socialista respondeu que o seu partido tem duas posições de princípio sobre essa mesma matéria.

«Estando tudo a correr, como diz o Governo e a troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional), o objetivo de sair de forma limpa e sem qualquer tipo de apoio sujeito a condicionamento deve ocorrer. Se isso não ocorrer, quer dizer que o Governo falhou no objetivo. Esta é a posição do PS. Tudo o resto são interpretações que não comprometem a posição do PS», disse.

Ainda de acordo com o secretário-geral do PS, o Governo «comprometeu-se com um objetivo que está no programa de assistência financeira, que é o da saída limpa».

«Aliás, foi em nome desse objetivo que exigiu e continua a exigir pesados sacrifícios aos portugueses», alegou, antes de se recusar a pronunciar-se sobre a natureza de um programa cautelar.

«Se recomendo prudência ao Governo, por maioria de razão também a exijo a mim próprio. Por isso, o PS não pronuncia em função de cenários hipotéticos, mas de realidades e de factos concretos. Quando as questões se colocarem em concreto, o PS dirá então qual a sua posição e qual a sua atitude. Fará isso não em função de cenários, mas em função de situações muito concretas e realistas», acrescentou.