O secretário-geral do PS, António José Seguro, defendeu na terça-feira que os bancos e fundos imobiliários devem passar a pagar Imposto Municipal Sobre Imóveis (IMI) das casas que possuem, mas esse encargo deve ser reduzido para as famílias.

As casas, segundo o líder socialista, desvalorizaram nos últimos anos. No entanto, frisou, «as Finanças continuam a aplicar o IMI» como se o imóvel ainda valesse o mesmo, quando «já vale menos».

«Propomos que as Finanças atribuam o valor justo da casa», ou seja, que procedam a uma atualização do valor patrimonial, «de modo a que o imposto incida sobre o valor real da casa», defendeu.

Se isso for feito, «as pessoas vão pagar menos» e «o Estado também recebe menos», mas essa diferença tem que se «ir buscar aos donos dos fundos imobiliários, parte deles» são «propriedade dos bancos».

«Há muitos fundos em Portugal que são donos de casas», mas «pagam zero» de IMI, disse Seguro, sustentando: «É altura de os bancos também pagarem IMI sobre as suas casas, para fazerem justiça e para aliviarem as famílias».

O secretário-geral do PS discursava em Cuba, na terça-feira à noite, durante uma ação de apoio à candidatura de Ana Raquel Soudo, a cabeça-de-lista do PS às autárquicas neste concelho, cuja câmara é gerida pelo autarca socialista Francisco Orelha, que não se recandidata.

Depois de um dia passado em «terras» alentejanas, com visitas a vários concelhos do distrito de Beja, Seguro «fechou» em Cuba esta sua deslocação, lembrando as pessoas que assistiam à intervenção que a crise que o país atravessa começou «há cinco anos», provocada «pelo sistema financeiro, pelos bancos».

«Olhem para o lado. Veem algum banco aflito? Olhem para o lado. Veem pessoas aflitas, pessoas a passarem dificuldades», argumentou, acusando o Governo de, perante esta situação, responder com «mais cortes» nas funções sociais do Estado.

É preciso, de acordo com António José Seguro, «parar com os cortes», porque «cortar não é reformar» e o que é necessário «para equilibrar as contas públicas» nacionais «é pôr um limite na despesa, mas dar prioridade à economia e ao emprego».

Retomando uma proposta em que insistiu nos últimos dias, na segunda-feira no distrito de Évora e na terça¬-feira na região de Beja, Seguro disse que é necessário um «programa de desenvolvimento para o interior» do país, que seja capaz de criar emprego.

«O interior tem um problema de despovoamento», mas «é porque as pessoas não gostem de viver no interior. É porque não há oportunidades de trabalho e as pessoas são obrigadas a emigrar daqui», afirmou, afiançando que o emprego tem que ser «a prioridade», pois, é o que «combate a miséria, a pobreza, a exclusão social».