O secretário-geral do PS assumiu nesta sexta-feira ter resolvido «o problema» interno criado por António Costa com a marcação de eleições primárias para a escolha do candidato socialista a primeiro-ministro.

Em declarações aos jornalistas, à margem de um encontro com cerca de 150 apoiantes em Moreira de Cónegos, Guimarães, António José Seguro comentou deste modo o apelo lançado quarta-feira pelo ex-Presidente Jorge Sampaio e pelos históricos dirigentes socialistas Almeida Santos, Manuel Alegre e Vera Jardim para que a «crise interna» no PS seja resolvida com brevidade.

«Esta crise não foi criada por mim, foi criada pelo António Costa [presidente da Câmara de Lisboa] e eu resolvi o problema através da marcação de eleições primárias abertas, que estão marcadas para o dia 28 de setembro», respondeu o líder socialista quando confrontado pelos jornalistas com o apelo de Sampaio, Alegre, Santos e Jardim.

Seguro acusou António Costa de «fragilizar» o partido ao «criar» uma crise interna, aproveitando para se congratular pelo facto de o partido ter aceitado a marcação das primeiras eleições primárias para escolha do candidato a primeiro-ministro.

Para o líder socialista, um dos «sinais» emitidos pelos portugueses nas eleições europeias foi que «querem participar mais» e «não querem ratificar» as escolhas partidárias.

Seguro reafirmou ainda a necessidade de uma nova Lei de Incompatibilidades para que «fique mais nítido» que a «vida dos negócios» não deve ser misturada com a «vida política», realçando que com isso não esta a fazer «nenhuma» insinuação.

O secretário-geral socialista insistiu que «o PS não devia estar a passar por esta situação», uma vez que «ganhou as eleições europeias e devia estar a discutir o aprofundamento do seu programa de governo».

O secretário-geral apontou, então, o dedo ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

«Infelizmente, o António Costa fragilizou o PS e o PS não merecia isto», acusou, voltando a destacar a importância das primárias abertas a simpatizantes.

«Isto é da maior importância, porque só uma democracia abre os partidos e esse foi um dos sinais que percebemos destas eleições, que os portugueses querem participar mais, não querem retificar os partidos, querem eles próprios escolher quem sejam os seus representantes», explicou.

No discurso durante o encontro com os apoiantes, Seguro defendeu a necessidade de «separar» os negócios da política e, confrontado com essa afirmação, recusou estar a fazer insinuações clarificando que pretende apenas uma nova lei de incompatibilidades.

«Não me refiro a nenhum caso em particular, mas há necessidade de termos uma nova lei de incompatibilidades de maneira a que fique mais nítido que quem quer ter uma atividade na área dos negócios pode tê-la, desde que seja legitima, mas que isso não deve ser misturado na vida politica», concluiu o líder socialista.