O secretário-geral do PS afirmou, esta terça-feira, à Rádio Renascença que não teria negociado o memorando de assistência externa assinado em 2011 e disse que se sente um «pássaro fora da gaiola» neste momento da vida interna socialista.

Numa entrevista em que fez duras críticas à decisão do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, de avançar para a liderança do PS, Seguro também se referiu ao período final do segundo Governo liderado de José Sócrates, quando Portugal negociou o resgate financeiro com a troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia).

«Um líder do PS, tal como entendo que deve ser um líder do PS, não enjeita nenhuma parte da História do partido e assume por inteiro o património, mas não trago nenhum passado de volta, porque estou concentrado no futuro. Se me dissesse que, se eu negociasse o memorando, se era este o memorando que tinha negociado, claro que não era», declarou António José Seguro.

Segundo o secretário-geral do PS, a partir do momento em que António Costa decidiu disputar-lhe a liderança do partido, a sua atitude mudou.

«Tinha um cuidado na utilização das minhas palavras e do discurso publico que hoje deixei de ter - um cuidado para contribuir para uma certa paz no PS e para afirmar a coesão do partido. Como tive oportunidade de dizer na reunião da Comissão Nacional [no domingo], hoje sinto-me um pássaro fora da gaiola. Recuperei totalmente a minha liberdade para dizer tudo aquilo que penso sobre a situação interna do partido», advertiu.

Seguro defendeu ainda que, ao longo dos três anos como secretário-geral, a sua prioridade «foi unir o PS».

«Também do ponto de vista discursivo dei passos nesse sentido, mas esse esforço - que era o meu dever como líder do PS -, como se verificou, não foi correspondido», referiu, numa alusão a deputados e dirigentes que apoiam António Costa.

Na entrevista, o secretário-geral do PS condenou os incidentes ocorridos no seu partido nos últimos dias, envolvendo apoiantes seus e apoiantes de António Costa, mas contrapôs com a necessidade de debates públicos nas televisões entre os dois candidatos às eleições primárias de 28 de setembro.

«Julgo que, se [António Costa} rapidamente aceitar esses debates, as coisas confrontam-se onde devem confrontar-se, no plano das ideias, das propostas e das atitudes políticas. Até agora, tirando a ambição pessoal de [António Costa] querer disputar o lugar, não se conhece uma motivação de projeto político», criticou.

O secretário-geral do PS acusou ainda António Costa de ter «fragilizado» o partido.

«Penso que o PS e muitos milhares de independentes que participaram no movimento Novo Rumo não mereciam que o PS estivesse neste momento nesta situação. O Governo está hoje menos intranquilo do que aquilo que poderia estar», acrescentou.