O secretário-geral do PS considerou este sábado, em Figueira de Castelo Rodrigo, «indigna» e «imoral» a medida que visa cortar as pensões da Caixa Geral de Aposentação e acusou o Governo de pretender transformar o interior num lar de idosos.

O líder socialista evocou a vitória portuguesa em 1664, em Castelo de Rodrigo, durante as guerras da restauração da independência, para manifestar o seu otimismo de que Portugal irá reunir forças para sair da atual crise económica e financeira.

Antes desta nota de otimismo, António José Seguro criticou o Governo por adotar políticas de «empobrecimento do país», gerando que em municípios do interior tenha regressado o fenómeno da emigração.

«Está a acontecer que muita gente está abalar das suas terras. Só se emigra quando a terra não dá oportunidades. Um país que vê os seus a emigrar é um país que não tem futuro», disse, considerando que a primeira prioridade é o emprego, tendo em vista a fixação das populações.

Depois, endureceu as suas críticas ao executivo, sobretudo pegando na recente decisão do Conselho de Ministros de cortar até dez por cento as pensões da Caixa Geral de Aposentações.

«O que este Governo está a fazer aos idosos e reformados é de uma enorme indignidade, é de uma enorme imoralidade», declarou o líder socialista perante uma plateia maioritariamente idosa.

António José Seguro afirmou que o corte das pensões projetado pelo Governo «é indigno», já que «uma pensão e uma reforma não são um privilégio, porque as pessoas trabalharam uma vida inteira e descontaram para ter direito a essa pensão»

O secretário-geral do PS lamentou também que essa decisão de corte nas pensões tenha sido tomada numa conjuntura extremamente difícil para a população idosa.

«Quando mais precisavam desse dinheiro, agora o Estado vai cortar. Essa pensão já não serve apenas para o reformado e para a reformada, mas também para ajudar filhos desempregados e as crianças em idade escolar. Além de uma indignidade, a medida do Governo não tem em conta a situação dramática de muitas famílias».

O secretário-geral do PS atacou também o Governo por, alegadamente, esquecer os concelhos do interior do país.

«Este primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho] olha para o interior como um fardo. Recuso que o interior seja um grande lar de idosos de norte a sul, com uma multidão de jovens desempregados sem perspetivas de futuro. Eu não aceito isso», cita a Lusa.