O presidente do Partido Socialista (PS), Carlos César, disse este domingo que António Sampaio da Nóvoa pensa Portugal «com serenidade», sendo por isso uma das personalidades que «melhor representa» aquilo de que o país precisa neste momento.

«[É] uma das personalidades que admiro e que melhor representa aquilo que no Portugal de hoje nós pensamos que é preciso, que é pensar com serenidade o país que nos rodeia», disse Carlos César, aos jornalistas, à chegada à sessão solene de comemoração do terceiro aniversário da elevação a cidade da Lagoa, nos Açores, que teve como orador convidado o antigo reitor da Universidade de Lisboa, Sampaio da Nóvoa.

O ex-presidente do Governo Regional dos Açores, fez apenas esta curta declaração, recusando responder a outras perguntas dos jornalistas. Carlos César sublinhou estar na Lagoa na qualidade de «cidadão honorário» da cidade e em resposta a um convite da câmara municipal.

À chegada a Lagoa, Sampaio da Nóvoa, que já admitiu a possibilidade de ser candidato a Presidente da República, não fez declarações aos jornalistas.

Sampaio da Nóvoa dedicou a intervenção que fez perante os convidados da Câmara Municipal da Lagoa, na ilha de São Miguel, ao tema da educação e do conhecimento, defendendo que «a única chave para a política de futuro" do país "está na ligação entre o conhecimento e a sociedade».

«Está na capacidade de termos os jovens qualificados que temos e que, infelizmente, estão a ser empurrados para o estrangeiro, o que é o maior desperdício que a sociedade portuguesa fez nas últimas décadas», sublinhou, acrescentando que há, neste momento, uma «espécie de mundo ao contrário», em que os países «com mais dificuldades são fornecedores do melhor» para os «países ricos».

«Este desperdício dos jovens qualificados, este desperdício do conhecimento que se faz em Portugal, esta incapacidade de levarmos este conhecimento para a economia, de levarmos este conhecimento para a sociedade, tem sido o aspeto mais dramático dos últimos anos e aqui está a chave para o desenvolvimento de Portugal, porque é aqui que se pode encontrar uma capacidade de desenvolvimento que não tem de ter um crescimento [económico] enorme», afirmou ainda.

Para Sampaio da Nóvoa, é preciso acabar com a «ilusão» de que voltará a haver em Portugal e na Europa, nas próximas décadas, níveis de crescimento como os registados no passado, mas considerou que isso não significa que não haja esperança em maior igualdade, desenvolvimento e bem-estar, estando a resposta na educação e na capacidade de «levar o conhecimento» para a sociedade.